Sermão
A Cruz, a Prova do Amor de Deus
Informações editoriais
- Título original
- The Cross, the Proof of the Love of God
- Texto-base
- Romanos 5:8
- Fonte histórica verificada
- SermonIndex — https://www.sermonindex.net/speakers/alexander-maclaren/the-cross-the-proof/ Fonte verificada
- Tradutor
- Samuel Figueira Aguiar
- Tempo de leitura
- 18 minutos
“Deus recomenda o seu amor para conosco, em que, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós.” — Romanos 5:8[1]
“Deus recomenda o seu amor.” Isso é verdadeiro e belo, mas não é tudo o que o Apóstolo quer dizer. Nós “recomendamos” pessoas e coisas quando falamos delas com louvor e confiança. Se esse fosse o significado de meu texto, ele representaria a morte de Cristo como expondo, de maneira capaz de conquistar nosso coração, a grandeza, a excelência e a transcendência do amor de Deus. Mas há mais do que isso nessas palavras.
A expressão aqui empregada significa, estritamente, “pôr duas coisas lado a lado”, e tem dois sentidos no Novo Testamento, ambos derivados desse significado original. Às vezes significa colocar duas pessoas lado a lado, apresentando e recomendando uma à outra. Às vezes significa colocar duas coisas lado a lado para confirmar ou provar uma pela outra. É neste último sentido que ela é usada aqui. Deus não apenas “recomenda”, mas “prova” seu amor pela morte de Cristo. Essa é a única evidência que torna certo aquele fato tantas vezes posto em dúvida. Somente por meio dela é possível manter a convicção de que, apesar de tudo o que parece contradizer essa crença, Deus é Amor. É nesse sentido, portanto, que desejo tomar essas palavras neste sermão.
I. A necessidade de prova de que Deus realmente ama
Ao ouvir alguns homens falarem, vocês suporiam que o amor de Deus é uma das convicções mais simples, claras e indiscutíveis de todas. Há muitas pessoas que rejeitam o ensino distintivo do cristianismo porque dizem que os aspectos mais severos da fé evangélica lhes parecem limitar, ou contradizer, aquilo que consideram a grande verdade fundamental de toda religião: Deus é Amor.
Meus amigos, essas pessoas estão derrubando a escada pela qual subiram. Ouso dizer que, em vez de o amor de Deus ser um axioma claro e evidente por si mesmo, são necessárias provas muito fortes para lhe dar morada segura entre nossas convicções estabelecidas.[2]
As religiões do mundo confirmam a afirmação de que é assim tão fácil e natural para um homem crer num Deus amoroso? Penso que não. A mitologia comparada nos ensinou muitas lições; entre elas, esta: fora das influências diretas ou indiretas do cristianismo, não se encontra credo algum em que a crença num Deus de amor e no amor de Deus seja proclamada sem hesitação, muito menos colocada como o próprio clímax de toda a revelação.
Se este fosse o lugar, poderíamos passar em revista os pensamentos dos homens acerca de Deus e pedir-lhes que contemplassem toda aquela multidão de seres diante dos quais a humanidade se prostrou. O que encontraríamos? Deuses cruéis, deuses indiferentes, deuses caprichosos, deuses lascivos, deuses poderosos, deuses misteriosos, deuses que se compadecem — com um desprezo misturado à compaixão — das dores e loucuras da humanidade. Mas, em todos os panteões, não há um Deus amoroso.
Antes de Jesus Cristo, tal pensamento não existia; ou, se existia de algum modo, existia como esperança tênue, um germe encoberto por outras concepções. Independentemente da influência de Jesus Cristo, tal pensamento não existe agora.
Quando encontramos, como frequentemente acontece, a morte de Cristo como prova rejeitada, mas a convicção retida, temos apenas um sinal de que “o rio da água da vida” infiltrou-se até as raízes de muitas árvores que crescem longe de suas margens. Foi Cristo quem trouxe o fogo dessa convicção, no caniço quebrado de sua carne moribunda, e o alojou no coração da humanidade. Por isso digo que o amor de Deus, como demonstram os pensamentos dos homens acerca dele, certamente precisa ser estabelecido sobre uma base de evidência inequívoca.
Acrescento que todas as outras evidências são insuficientes. Vocês apelam, à maneira de Paley e dos teólogos naturais, para a evidência de Deus na criação? Ah! Invocaram um oráculo extremamente ambíguo, que parece falar com duas vozes. Nada direi sobre a modificação que esse argumento necessariamente sofreu caso se aceite a teoria da evolução. Não penso que tenha sido destruído, mas foi profundamente modificado. Pois, se Deus colocou na matéria a promessa e a potência de todas essas variações, ele precisa estar por trás do processo e ser concebido como aquele que previu, quando não dirigiu, a evolução que termina em desenvolvimento. Assim, o argumento mudou apenas de forma e permanece inalterado em substância.
Mas, deixando isso de lado, vocês falam da bondade de Deus ao nosso redor. E as tempestades, terremotos, desastres, mecanismos produtores de dor, a lei de destruição pela qual as criaturas vivem matando umas às outras — o que dizer de todas essas coisas? “A Natureza, rubra de dentes e garras pela rapina, grita contra o credo” de que Deus é Amor.[3] E, se não possuímos nenhuma evidência além da natureza, parece-me que ali falam duas vozes: uma diz: “Há um Deus bom”; a outra diz: “Ou seu poder é limitado, ou sua bondade é parcial.”
A mesma conclusão ambígua procede da evidência da vida humana. Ah, irmãos! Basta olharmos para nossa própria vida e ao redor, para os terríveis espetáculos que enchem o mundo, para fazer vacilar a mais robusta fé na bondade e no amor de Deus, a menos que ela possa apoiar-se na haste erguida da cruz de Cristo. Os sentimentalistas podem falar, mas o fato sombrio do sofrimento humano, das vidas miseráveis e sem esperança, ergue-se para declarar que, fora do cristianismo, não há evidência suficientemente ampla, profunda e sólida para tornar absolutamente certo que Deus é Amor.
Há outra coisa que torna necessária alguma prova irrefutável, muito mais firme do que qualquer uma das que venho mencionando.[4] É que a consciência, quando desperta, se levanta e protesta contra semelhante ideia quando separada da cruz. Todo aquele que honestamente faz um balanço de si mesmo e concebe Deus de maneira minimamente correta precisa sentir que o pecado entrou e perturbou todas as relações entre Deus e o homem.
E, quando um homem chega a dizer: “Sinto que sou um homem pecador e que Deus é um Deus justo; como posso esperar que seu amor destile bênçãos sobre minha cabeça?”, há apenas uma resposta: “Sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós.”
Por todas essas razões, ouso estabelecer como princípio, apesar do ensino moderno em sentido contrário, que o amor de Deus não é um axioma evidente por si mesmo, mas precisa ser provado.[5]
II. A morte que de fato prova o amor
Como sabemos, em nossa própria feliz experiência, que existe amor por nós em outro coração? Certamente, por atos. Palavras são boas — e palavras são, de certo modo, atos —, mas queremos algo mais. Paulo entende que, mais poderosa do que todas as demonstrações verbais, para estabelecer o fato de que existe amor no coração divino para com os homens, precisa haver algum ato conspícuo e inequívoco que brote desse amor.
Notem, portanto, que, quando ele deseja inculcar essa grande verdade — o clímax resplandecente de toda a revelação evangélica do amor de Deus —, não retorna às palavras ternas de Cristo nem ao seu ensino acerca de Deus como Pai. Paulo não aponta para algo que Cristo disse; aponta para uma coisa que ele fez e diz: “Ali! Aquela cruz é a demonstração.”
E, visto que isso tem relação especial com meu tema, desejo enfatizar essa distinção e suplicar-lhes que creiam que vocês ainda não chegaram a enxergar o segredo de Jesus nem chegaram perto de alcançar as fontes de seu poder se se limitam a suas palavras e seu ensino, ou mesmo aos atos menos elevados de sua vida de mansidão. Vocês precisam ir à cruz.
Já seria muito que Paulo falasse do amor de Deus com uma certeza e uma doçura sem paralelo em qualquer outro lugar. Mas palavras, por mais eloquentes e verdadeiras que sejam, não bastam para que a alma deposite nelas todo o seu peso. Precisamos de feitos, e todos eles se resumem nisto: “Cristo morreu por nós.”
Agora, há apenas duas coisas que desejo dizer acerca dessa grande prova, em ato, do amor de Deus.
Primeiro, a morte de Cristo prova o amor de Deus porque Cristo é divino. De que outra maneira vocês explicariam essa extraordinária mudança de sujeitos em meu texto? “Deus prova seu amor porque Cristo morreu?” Como assim?
Deus provou seu amor porque Sócrates morreu? Deus provou seu amor porque algum médico abnegado entrou num hospital e morreu ao curar outras pessoas? Deus provou seu amor porque algum homem se lançou ao mar e resgatou uma mulher que se afogava, ao custo da própria vida? Tal raciocínio se sustentaria? Então desejo saber como Paulo ousa dizer que Deus provou seu amor porque Jesus Cristo morreu.
A menos que creiamos que Jesus Cristo é o Filho eterno do Pai, a quem o Pai enviou e que voluntariamente veio por nós, homens, e para nossa redenção; a menos que creiamos, como ele próprio disse, que “quem me viu viu o Pai” (João 14:9); a menos que creiamos que sua morte foi o ato, a consequência e a revelação do amor de Deus, que habitava nele como em nenhum outro dos filhos dos homens, eu, de minha parte, ouso pensar que Paulo está falando absurdo em meu texto e que seu argumento não vale uma palha.[6]
Precisamos chegar à crença plena que, como penso, permeia e une cada página do Novo Testamento: Deus amou de tal maneira o mundo e enviou seu Filho para ser a propiciação pelos pecados; aquele Filho que, no princípio, estava com Deus e era Deus. Então uma inundação de luz se derrama sobre as palavras de meu texto, e podemos inclinar a cabeça em adoração e dizer: “Amém! Deus, para meu entendimento e para meu coração, provou e recomendou seu amor em que Cristo morreu por nós!”
O segundo pensamento acerca dessa morte que prova o amor é que ela o prova porque é uma morte por nós. Esse “por nós” implica duas coisas: primeiro, o ato voluntário de Deus em Cristo entregando-se à morte; segundo, o efeito benéfico dessa morte. Foi em nosso favor. Portanto, foi o jorrar espontâneo de um amor infinito. Foi por nós no sentido de que trouxe benefício infinito para nós. E, assim, foi sinal e manifestação do amor de Deus como nada mais poderia ser.
Agora desejo fazer uma pergunta com toda a seriedade: de que maneira concebível a morte de Cristo pode ser um benefício real para mim? Como pode fazer-me algum bem?
Uma história doce, terna, sem paralelo e bela de inocência, mansidão e martírio, que resplandecerá na memória do mundo e nas páginas da história enquanto o mundo durar — ela é tudo isso. Mas que bem isso me faz? Onde entra o benefício para mim individualmente?
Há apenas uma resposta; e insisto para que perguntem a si mesmos se, falando em simples, sóbrio e comum bom senso, a morte de Jesus Cristo significa alguma coisa para alguém além do que significam outros martírios e belas mortes, exceto sob uma suposição: que ele morreu por nós porque morreu em nosso lugar. As duas coisas não são necessariamente idênticas; mas, como creio e ouso insistir diante de vocês, neste caso elas são idênticas.
Não sei onde vocês encontrarão qualquer justificativa para a linguagem arrebatada de todo o Novo Testamento acerca da morte de Cristo e de seus benefícios fluindo para o mundo inteiro, a menos que aceitem as próprias palavras do Mestre: “O Filho do Homem veio para servir e dar sua vida em resgate em lugar de muitos” (Marcos 10:45).[7]
Ah, queridos amigos! Aqui tocamos a rocha fundamental. Essa é a verdade que faz a cruz irromper num esplendor diante do qual a luz do sol não passa de trevas. Aquele que a carregou morreu pelo mundo inteiro e era o Filho eterno do Pai.
Se cremos nisso, então podemos compreender como Paulo une aqui o coração de Deus e o coração de Cristo e coloca, bem acima da natureza e de seus oráculos ambíguos, bem acima da providência e de suas muitas perplexidades, e diante de todos os recuos e temores de uma consciência razoavelmente alarmada, esta única verdade: “Deus provou seu amor para conosco em que, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós.”
É essa a fé de vocês? É essa a concepção que têm da morte de Cristo e de sua relação com o amor de Deus?
III. O amor que é provado pela morte
Há em meu texto muito que incide sobre esse ponto, e mal consigo poupar tempo para desenvolvê-lo. Mas pensemos por um momento no fato que constitui essa demonstração do amor de Deus e procuremos apreender vividamente o que aquela cruz nos diz quando contemplamos o Sofredor silencioso pendendo ali em mansidão.
Sei que minhas palavras necessariamente ficarão muito aquém do tema; só posso esperar que vocês as escutem com benevolência e procurem aperfeiçoá-las por si mesmos em seus próprios pensamentos.
Olho, então, para o Cristo moribundo e vejo ali a revelação — porque é a consequência — de um amor que não é despertado por qualquer qualidade digna de amor em seus objetos.[8] O Apóstolo enfatiza esse pensamento, se traduzirmos plenamente suas palavras, pois diz: “Deus prova o seu próprio amor.”
É um amor que, como tudo o que pertence àquele Ser atemporal e autodeterminante, tem sua razão e suas raízes somente nele próprio. Nós amamos porque discernimos no objeto algo digno de amor. Deus ama por aquilo que ouso chamar de própria necessidade de sua natureza.
Como um poço artesiano que não precisa de bombas nem de maquinário para trazer à superfície as águas cintilantes, a fim de que brilhem à luz do sol, assim brota das profundezas de seu próprio coração o amor que se derrama sobre cada criatura que ele fez.[9] Ele ama porque é Deus.
Do mesmo modo, outra palavra de meu texto incide sobre essa questão, pois ele diz: “Sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós.” Oh, irmãos! Somente o evangelho de um Cristo moribundo pode acalmar aquela consciência racional da desarmonia e do antagonismo que nasce no coração de um homem quando ele deixa sua consciência falar.
É porque ele morreu por nós que agora temos certeza de que a negra muralha montanhosa de nosso pecado — que, segundo nossa percepção, se ergue separando-nos de nosso Deus — é, se assim posso dizer, sobrepujada pela enchente crescente de seu amor. A cruz de Cristo me ensina isso e, por isso, é o evangelho para homens que sabem ser pecadores. Existe alguma outra coisa que ensine isso? Se existe, não sei onde encontrá-la.
Aquele Cristo moribundo, pendendo ali no silêncio e na escuridão do eclipse, fala-me também de um amor divino que, embora não seja repelido pelo pecado do homem, é inflexivelmente justo.
Referi-me, no início de minhas observações, à religião corrente e acomodatícia que diz: “Oh! Não queremos nenhum desses seus artifícios evangélicos para o perdão. Deus é Amor. Isso nos basta.”
Ouso dizer que aquilo que essa forma de pensamento chama de amor não é amor de modo algum, mas pura fraqueza. Num rei ou num pai, algo assim seria imoral. Não é diferente em Deus.
Meu irmão! A menos que você encontre algum meio pelo qual o amor infinito de Deus possa alcançar e acalmar o coração do pecador sem pôr em risco a justiça de Deus, você não resolveu coisa alguma. Um evangelho assim, caolho e desequilibrado, jamais funcionará; nunca funcionou e nunca funcionará.
Mas, quando penso em meu Cristo levando os pecados do mundo, digo a mim mesmo: “Nisto está o amor. Por suas feridas somos curados”; e nele amor e justiça são ambos coroados e maravilhosamente unidos numa única harmonia. Existe alguma outra coisa capaz de fazer isso? Se existe, eu, de minha parte, não sei qual seja.
Novamente, quando contemplo o Cristo moribundo, vejo um amor divino que não é limitado por fronteira alguma de tempo ou de lugar.
Observem aquele majestoso e significativo “recomenda” — não “recomendou” nem “provou”, como se fosse um fato passado deslizando rapidamente para o esquecimento que envolve todos os acontecimentos passados à medida que o mundo envelhece e sua memória se torna mais carregada. É “recomenda” hoje, assim como recomendava há mil e oitocentos anos.
Lembrem-se de a quem Paulo falava: pessoas que nunca tinham visto Jesus Cristo; muitas delas nem sequer estavam no mundo quando ele o deixou. E, contudo, Paulo diz: “Aquela cruz permanece ali para vocês, desta segunda geração, como prova presente de um amor eterno.”
E, meus amigos, ela permanece para nós, homens e mulheres de Manchester, tão verdadeiramente como para os homens e mulheres da Galileia ou de Roma. Não há limite algum de tempo, nem para o poder da prova nem para o amor que ela estabelece. Hoje, assim como outrora, e como será no futuro mais remoto, a cruz de Cristo ergue-se como um grande farol no alto da montanha quando tudo abaixo dele desapareceu de vista: a única demonstração eterna de um amor eterno.
E agora, queridos irmãos, “prova” é uma palavra fria. Dirige-se à cabeça. “Recomenda” é uma palavra mais calorosa. Dirige-se ao coração. Não basta estabelecer o fato de que Deus ama.
Argumentos podem ser forjados no gelo tanto quanto no fogo; e, se esta noite errei em alguma medida nesse aspecto, peço perdão a ele e a vocês. Mas é ao coração de vocês que desejo chegar — passando pela cabeça.
Não me interessa simplesmente fazer de vocês crentes ortodoxos numa doutrina. Isso está muito bem, mas é parte muito pequena de nosso trabalho. Quero que seu coração seja tocado e que Cristo não seja apenas a resposta para suas dúvidas, mas o soberano de seus afetos.
Vocês contemplam a morte de Cristo como uma morte por seu pecado? Na força da revelação que ela faz do amor de Deus, enfrentam as perplexidades, as misérias do mundo e as meadas emaranhadas da providência com rosto sereno e feliz? E, oh! — o mais importante de tudo — respondem a esse amor com amor?
Há duas passagens das Escrituras que contêm todo o segredo de uma vida humana nobre e bem-aventurada. Ei-las:
“Deus amou de tal maneira o mundo que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna” (João 3:16). Se esse é seu pensamento acerca de Deus, vocês sabem o suficiente acerca dele para o tempo e para a eternidade.[10]
“Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19). Se vocês podem dizer isso acerca de si mesmos, tudo está bem.
Querido amigo, você crê na primeira?
Você afirma a segunda?
Notas editoriais
Notas
- A transcrição fornecida pelo SermonIndex omite o texto-base de abertura e encurta o título para The Cross the Proof. O índice da edição de 1897 de Triumphant Certainties and Other Sermons, de Alexander Maclaren, registra o sermão como The Cross the Proof of the Love of God, p. 275, tendo Romanos 5:8 como texto. A tradução do versículo preserva deliberadamente o verbo inglês commendeth como “recomenda”, em vez de harmonizá-lo com versões bíblicas portuguesas que usam “prova” ou “demonstra”, porque todo o argumento inicial de Maclaren depende da amplitude semântica desse termo na versão bíblica inglesa que ele cita. ↩
- A transcrição fornecida traz a corrupção “there needs very B evidence”. O resumo textual preservado no Expositor's Dictionary of Texts conserva a leitura “there needs very strong evidence”. A tradução segue essa leitura confirmada. ↩
- A frase é uma alusão a Tennyson. A tradução segue as palavras efetivamente usadas por Maclaren na fonte transmitida, sem substituí-las silenciosamente pela forma exata de outra edição do poema. ↩
- A transcrição traz “some irrefutable proof far firmer and Ber than any of these”. O token Ber está evidentemente corrompido, mas não encontrei testemunho textual suficientemente sólido para restaurá-lo com segurança. A tradução preserva apenas o sentido inequivocamente atestado — “alguma prova irrefutável, muito mais firme do que qualquer uma…” — sem inventar o adjetivo perdido. ↩
- A fonte traz “modem teaching”, erro tipográfico/OCR evidente por “modern teaching”. A tradução segue “ensino moderno”. ↩
- A transcrição traz “1, for one” em dois pontos, corrupção evidente de “I, for one”. Ambos foram traduzidos como “eu, de minha parte”. ↩
- Maclaren cita Marcos 10:45 com a formulação “a ransom instead of many”. Essa escolha é teologicamente importante para o argumento substitutivo que ele acaba de desenvolver. Por isso, a tradução conserva “resgate em lugar de muitos”, em vez de harmonizar a citação com a redação de versões bíblicas portuguesas correntes. ↩
- A transcrição apresenta a pontuação corrompida “I see there the revelation, because the consequence-of a love…”. Um testemunho independente do trecho conserva o sentido: “the revelation, because the consequence, of a love…”. A tradução torna explícita a relação sintática — a morte revela o amor porque é consequência desse amor — sem acrescentar conteúdo doutrinário. ↩
- A transcrição traz “to flesh in the sunlight”. O contexto da metáfora do poço artesiano e testemunho independente confirmam “to flash in the sunlight”. A tradução segue “brilhem à luz do sol”. ↩
- A transcrição traz “God so love the world”. Trata-se de erro evidente por “God so loved the world”, forma também atestada em reproduções independentes e na versão bíblica inglesa citada por Maclaren. ↩