Sermão
Confissão Alegre e Triste Advertência
Informações editoriais
- Título original
- Glad Confession and Sad Warning
- Texto-base
- João 16:29–32
- Fonte histórica verificada
- SermonIndex — https://www.sermonindex.net/speakers/alexander-maclaren/a-confession-and-a-warning/ Fonte verificada
- Tradutor
- Samuel Figueira Aguiar
- Tempo de leitura
- 17 minutos
“Seus discípulos disseram a Jesus: Eis que agora falas claramente e não dizes provérbio algum. Agora temos certeza de que sabes todas as coisas e não necessitas que homem algum te interrogue; por isso cremos que vieste de Deus. Jesus lhes respondeu: Credes agora? Eis que vem a hora, e já chegou, em que sereis dispersos, cada um para o que é seu, e me deixareis sozinho; contudo, não estou sozinho, porque o Pai está comigo.” — João 16:29–32[1]
As primeiras palavras desses maravilhosos discursos foram: “Não se perturbe o vosso coração.” Elas deram o tom de tudo o que se seguiu. O objetivo de todo o discurso era trazer paz e confiança ao espírito dos discípulos. E essa jubilosa explosão de confissão, que brota de seu coração de maneira tão espontânea e irresistível, mostra que o objetivo havia sido alcançado.
Por um momento, a tristeza, a perplexidade e a lentidão de compreensão haviam desaparecido; aqueles questionadores insensatos e ouvintes pouco receptivos tinham sido elevados a uma região mais alta e agora possuíam discernimento, coragem e confiança. A última e sublime declaração de nosso Senhor reunira todos os raios dispersos num feixe tão brilhante que até o mais cego não podia deixar de ver, e até o mais frio não podia deixar de se aquecer.
Mas o olhar sereno e penetrante de Cristo percebe algo que não é inteiramente satisfatório nesse transbordamento da confiança dos discípulos. Ele não rejeita sua fé imperfeita, mas os adverte, como se já visse a hora iminente da negação, que tão terrivelmente contraditaria o arrebatamento daquele momento. E então, com uma súbita mudança carregada de profundo pathos, passa deles para si próprio e, numa declaração singularmente entrelaçada, permite-nos entrever sua profunda solidão e os companheiros que a partilhavam.
Minhas palavras agora não tentarão fazer nada além de acompanhar o curso do pensamento nas palavras que temos diante de nós.
I. A jubilosa confissão dos discípulos
Notem a jubilosa confissão dos discípulos.
Suas palavras estão permeadas de alusões às promessas e declarações anteriores de nosso Senhor; e essas próprias alusões mostram quão superficial era sua compreensão daquilo que lhes parecia tão claro.
Ele lhes havia dito que, naquele dia vindouro cujo amanhecer já estava tão próximo, não lhes falaria “mais por provérbios, mas lhes mostraria claramente acerca do Pai”; e eles respondem, numa espécie de arrebatamento de surpresa, que o dia prometido já chegou e que, mesmo agora, ele lhes fala “claramente” e sem palavras misteriosas.
Teriam compreendido suas palavras quando as julgavam tão claras?
“Saí do Pai e vim ao mundo; novamente deixo o mundo e vou para o Pai.”
Essa declaração resumida dos mistérios centrais do cristianismo — que sucessivas gerações têm descoberto ser inesgotável e que, para tantas mentes, pareceu absolutamente incrível — pareceu cristalina à compreensão superficial daqueles discípulos.
Se tivessem entendido o que ele queria dizer, poderiam ter falado assim ou tê-lo abandonado tão pouco tempo depois?
Eles começam com aquilo que consideravam um fato: sua declaração clara. Depois vem uma convicção que faz alusão às palavras anteriores dele:
“Agora sabemos que sabes todas as coisas e não necessitas que homem algum te interrogue.”
Ele lhes havia dito:
“Naquele dia nada me perguntareis.”
E, pelo fato de ter interpretado as palavras que eles não haviam pronunciado e antecipado seu desejo de perguntar aquilo que não ousavam perguntar, extraem — corretamente — a conclusão de sua onisciência divina. Pensam que justamente nisso, em ele responder à pergunta deles antes que fosse feita, estava o cumprimento daquela grande promessa.
Era isso tudo o que ele queria dizer? Certamente não.
Pretendia apenas dizer: “Nada me perguntareis porque saberei, sem que precisem perguntar, aquilo que desejam saber”?
Não!
Queria dizer: “Nada me perguntareis porque, naquele dia, terão consigo um Espírito iluminador que resolverá todas as suas dificuldades.”
Assim, mais uma vez, uma interpretação superficial esvazia as palavras que aceitam de seu significado mais profundo e mais precioso.
Então eles dão ainda outro passo.
Primeiro começam com um fato; depois inferem dele uma convicção; e agora, sobre a base da convicção inferida, edificam uma fé:
“Cremos que vieste de Deus.”
Mas aquilo que entendiam por “vir de Deus” ficava muito aquém da grandeza daquilo que ele próprio queria dizer com essa declaração; e, nessa confissão final e articulada de sua fé, estão apenas um pouco adiante do rabino Nicodemos e atrás do apóstolo Pedro, quando este disse:
“Tu és o Filho do Deus vivo.”
Assim, sua confissão é uma trama estranhamente entretecida de discernimento e ignorância. E eles podem servir-nos tanto de exemplo, ensinando-nos o que devemos ser, como de sinal de advertência, mostrando-nos o que não devemos ser.
Permitam-me observar apenas uma ou duas lições extraídas da atitude e da confissão dos discípulos.
A primeira observação que desejo fazer é que aqui aprendemos o que dá vida a um credo: a experiência.
Esses homens haviam ouvido, repetidas vezes, nas declarações anteriores de nosso Senhor, a afirmação de que “ele veio de Deus”; e, de algum modo, acreditavam nisso. Mas, como acontece com tantas de nossas convicções, ela permanecia adormecida e meio morta em sua alma.
Agora, correta ou incorretamente, a experiência os colocara, segundo pensavam, em contato com uma prova manifesta da onisciência divina de Cristo, e a convicção entorpecida irrompe de súbito em plena vitalidade. O fogo abafado de uma crença meramente abstrata acende-se de uma vez num brilho que espalha calor por todo o coração; e, embora muito antes já tivessem professado crer que ele vinha de Deus, agora, pela primeira vez, agarram essa verdade como realidade viva.
Por quê?
Porque a experiência lhes havia ensinado isso.
Ela é o único mestre que nos ensina os artigos de nosso credo de uma maneira em que realmente valha a pena aprendê-los. Cada um de nós carrega crenças professadas que jazem inoperantes, acamadas, no hospital e no dormitório de nossa alma, até que alguma grande necessidade ou circunstância súbita surge, lança sobre elas um raio de luz e então elas se levantam e despertam.
Não conhecemos a utilidade da espada até estarmos na batalha. Antes do naufrágio, ninguém veste o colete salva-vidas guardado em sua cabine.
Cada um de nós possui vastas regiões da verdade cristã que julgamos crer com toda certeza, mas que precisam da experiência para serem vivificadas e precisam que cresçamos até tomarmos posse delas. Entre todos os nossos mestres que transformam crenças às quais damos assentimento em crenças verdadeiramente cridas, nenhum é tão poderoso quanto a dor; pois ela leva o homem a agarrar firmemente as coisas profundas da Palavra de Deus.
Outra lição que extraio dessa alegre confissão é a declaração ousada que sempre acompanha a certeza.
As línguas vacilantes desses homens se soltam. Eles possuem um fato sobre o qual firmar-se. Possuem um conhecimento seguro inferido desse fato. Possuem uma fé construída sobre a certeza daquilo que sabem. Tendo isso, tudo jorra de uma vez.
Nenhum homem que crê de todo o coração consegue deixar de falar.
Vocês, cristãos silenciosos, são assim porque não apreendem senão pela metade a verdade que dizem possuir.
“Tua palavra, encerrada em meus ossos, era como fogo”;
e ela abriu caminho através de toda a matéria morta que a encerrava até que, por fim, irrompeu em chamas que subiram aos céus.
Vocês conseguem dizer: “Sabemos e cremos”, com confiança inabalável?
Não: “argumentamos”.
Não: “humildemente nos aventuramos a pensar que, no conjunto…”.
Não: “estamos mais inclinados a acreditar…”.
Mas:
“Sabemos que sabes todas as coisas e que vieste de Deus.”
Busquem essa bendita certeza de conhecimento, fundamentada nos fatos da experiência individual, que “faz cantar a língua do mudo” e transforma toda a morte de uma profissão exterior do cristianismo em poder vivo e jubiloso.
Além disso, extraio esta lição: tenham cuidado para não supor, indolentemente, que compreendem as profundezas da verdade de Deus.
Aqueles apóstolos imaginavam ter apreendido todo o significado das palavras do Mestre e se alegravam nelas. Alimentavam-se delas e tiravam algo delas; mas quão longe estavam da verdadeira percepção de seu significado!
Esta geração abomina o mistério e exige que as verdades mais profundas do mais elevado de todos os temas — a religião — sejam reduzidas a um picadinho tão miúdo que o “homem comum” consiga compreendê-las nos intervalos da leitura do jornal.
Há entre nós gente demais disposta a agarrar a interpretação mais superficial da verdade cristã e repousar preguiçosamente nela.
Um credo sem profundidade é como um quadro sem perspectiva. É plano, antinatural e condenado pelo próprio fato de sê-lo.
É melhor sentirmos que a menor palavra que vem de Deus é como uma pequena folha de planta aquática sobre a superfície de um lago: se vocês a levantarem, puxarão atrás dela uma longa ramagem, e ninguém sabe quão longe ou quão fundo estão suas raízes.
É melhor sentirmos como o Infinito e a Eternidade nos comprimem por todos os lados e adotarmos aquela disposição que reconhece que, até o fim, não passamos de aprendizes, vendo “por meio de um espelho, em enigma” e, portanto, esperando pacientemente pela luz e esforçando-nos vigorosamente para alargar nossa alma até a largura da verdade infinita de Deus.
II. As tristes perguntas e advertências do Mestre
Considerem, então, em segundo lugar, as tristes perguntas e advertências do Mestre.
“Credes agora?”
Isso não põe em dúvida tanto a realidade da fé deles quanto sua permanência e seu poder.
“Eis que vem a hora em que sereis dispersos” —
como ele lhes havia dito pouco antes, no cenáculo, à semelhança de um rebanho quando o pastor é ferido —
“cada um para o que é seu.”
Ele não rejeita sua homenagem imperfeita, embora perceba com tanta clareza sua imperfeição e transitoriedade; mas os adverte com tristeza a respeito da natureza fugaz da emoção presente e procura prepará-los, mediante esse conhecimento, para a terrível tempestade prestes a desabar sobre eles.
Aprendamos, portanto, duas ou três lições simples.
Uma delas é que o amado Senhor aceita uma entrega imperfeita, uma fé ignorante e um amor que ele sabe que em breve se transformarão em negação.
Oh! Se não aceitasse, o que seria de todos nós?
Nós rejeitamos corações entregues pela metade; não queremos uma amizade na qual não possamos confiar. Para nós, toda a doçura dos votos se esvai quando temos razão para crer que serão desmentidos dentro de uma hora.
Mas o paciente Mestre estava disposto a suportar aquilo que você e eu não suportaríamos; a aceitar aquilo que rejeitaríamos; e a agradar-se de que lhe dessem até mesmo aquilo.
Seu amor “suporta por muito tempo e é bondoso”.
Não tenhamos medo de trazer a seus pés misericordiosos até mesmo uma consagração imperfeita —
“uma pequena fé ainda não posta à prova” —[2]
Outra lição é a necessidade de os cristãos examinarem diligentemente a si mesmos e se certificarem de que sua vida interior corresponde a suas palavras e profissões.
Pergunto-me quantos milhares de pessoas se levantarão hoje e dirão: “Creio em Deus Pai Todo-Poderoso e em Jesus Cristo, seu único Filho”, cujas palavras ficariam presas na garganta se aquela pergunta do Mestre lhes fosse dirigida:
“Credes agora?”
E pergunto-me quantos de nós somos enganados por nossas próprias declarações verbais acerca de Cristo.
O autoexame não é, em todos os sentidos, um exercício saudável e pode facilmente ser levado longe demais, até destruir a espontaneidade e a alegria da vida cristã. Um homem pode fazer o próprio pulso bater irregularmente simplesmente concentrando nele sua atenção; e pode haver uma espécie errada de autoexame, que produz mais mal do que bem.
Por outro lado, todos precisamos verificar nossa posição, para que nossa vida exterior não se afaste fatalmente da correspondência com nossa vida interior.
Nossas palavras e atos de profissão e serviço cristãos são como notas bancárias. Qual será o fim se houver uma resma inteira delas circulando pelo mundo, mas não houver saldo algum de ouro nos cofres para garanti-las?
Nada senão falência.
Cuidem para que sua reserva de ouro, no fundo do coração, deixe sempre uma margem além das notas em circulação que vocês mesmos emitiram.
E, no meio de suas profissões, ouçam o Mestre dizer:
“Credes agora?”
Outra lição que extraio é esta: não confiem em emoções nem em experiências religiosas, mas somente naquele para quem elas se voltam.
Esses homens eram perfeitamente sinceros; havia um brilho de alegria em seu coração e uma fé real, embora imperfeita, quando falaram.
Uma hora depois, onde estavam?
Muitas vezes somos severos demais com esses pobres discípulos ao avaliarmos sua conduta naquele momento crítico. Falamos deles como covardes. Bem, foram melhores e piores do que simples covardes: sua coragem falhou em segundo lugar, porque sua fé havia falhado primeiro.
A cruz os tornou pusilânimes porque destruiu sua confiança em Jesus Cristo.
“Nós confiávamos.”
Ah! Que mundo de tristeza existe nesse tempo passado!
“Nós confiávamos que fosse ele quem haveria de redimir Israel.”
Mas já não confiavam nisso. Por que, então, colocariam a própria vida em perigo por alguém sobre quem sua fé já não conseguia firmar-se?
Teríamos sido melhores se estivéssemos ali?
Suponham que vocês tivessem permanecido à distância e visto Jesus morrer na cruz: sua fé teria sobrevivido?
Não sabemos, por experiência própria, o que é sermos muito mais exuberantes em nossas profissões de fé — e, sem dúvida, fé real — numa hora tranquila em que estamos a sós com ele, do que quando as espadas reluzem e estamos na presença de seus adversários?
Não sabemos o que é agarrar uma convicção num momento e, no seguinte, descobrir que ela escapou de nossas mãos como um punhado de névoa?
Nossa vida cristã é sempre vivida num único e elevado nível uniforme?
Não conhecemos horas de exaustão que chegam depois de profunda emoção religiosa?
“Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro a lançar a pedra.”
Não haverá muitas pedras lançadas se essa regra for aplicada.
Reconhecendo todos nós nossa própria fraqueza, não confiemos em coisa alguma — nem em nossas convicções, nem em nossas emoções —, mas somente nele, e clamemos:
“Sustenta-me, e estarei seguro!”
III. O Cristo solitário e seu Companheiro
Por último, notem o Cristo solitário e seu Companheiro.
“Vós me deixareis sozinho.”
Há tristeza nessa frase, embora seja uma tristeza serena.
E então, suponho, houve um instante de pausa antes que a voz tranquila recomeçasse:
“E, contudo, não estou sozinho, porque o Pai está comigo.”
Há ali duas correntes, ambas serenas; uma luminosa, a outra escura.
Jesus foi o homem mais solitário que já viveu. Todas as outras formas de solidão humana se concentraram nele.
Conheceu a dor de propósitos não compreendidos, de amor não correspondido, de ensinamentos nos quais não se acreditava, de um coração lançado de volta sobre si mesmo.
Nenhum homem o compreendeu; nenhum homem o conheceu; nenhum homem o amou profunda e plenamente nem simpatizou inteiramente com ele; e ele viveu à parte.
Sentiu a dor da solidão mais agudamente do que os homens pecadores a sentem. A pureza perfeita possui sensibilidade aguda; um coração inteiramente carregado de amor é dolorosamente ferido quando esse amor é rejeitado — e tanto mais dolorosamente quanto mais abnegado é seu amor.
A solidão não foi parte pequena da dor da Paixão de Cristo.
Lembrem-se do comovente apelo no Getsêmani:
“Ficai aqui e vigiai comigo!”
Lembrem-se das três vezes em que voltou inutilmente aos discípulos adormecidos, na esperança de encontrar alguma simpatia neles.
Lembrem-se da ênfase com que, mais de uma vez em sua vida, predisse a solidão de sua morte.
E então compreendamos que, entre os ingredientes mais amargos do cálice que bebeu, estava a consciência de que o bebia sozinho.
Agora, queridos amigos, alguns de nós, sem dúvida, precisam viver vidas exteriormente solitárias.
No fim das contas, todos nós vivemos sozinhos, apesar de toda comunhão e convivência. Os físicos nos dizem que, mesmo nos corpos mais sólidos, os átomos não se tocam. Os corações chegam mais perto uns dos outros do que os átomos; mas, ainda assim, no fim, morremos sozinhos e, nas profundezas de nossa alma, todos vivemos sozinhos.
Sejamos, portanto, gratos porque o Mestre conhece a amargura da solidão e percorreu pessoalmente esse caminho.
Temos então a serena consciência de uma comunhão ininterrupta.
A consciência que Jesus Cristo tinha de sua união com o Pai era profunda, íntima e constante, transcendendo completamente, em maneira e medida, qualquer experiência nossa.
Ainda assim, nessas grandes palavras ele coloca diante de nós um modelo daquilo a que devemos aspirar. Elas mostram o caminho de consolo para todo coração solitário:
“Não estou sozinho, porque o Pai está comigo.”
Se a terra estiver escura, olhemos para o céu.
Se o mundo, com seus milhões, parecer não conter um único amigo para nós, voltemo-nos para aquele que nunca nos abandona.
Se pessoas queridas forem arrancadas de nosso abraço, agarremo-nos a Deus.
A solidão é amarga; mas, como outras coisas amargas, é também um tônico.
Não é pura perda se as árvores cuja beleza folhosa ocultava de nós o céu forem derrubadas e, por isso, passarmos a ver o azul.
A companhia de Cristo é para nós aquilo que a comunhão do Pai era para Cristo.
Ele suportou a solidão para que pudesse ser o Companheiro de todos os solitários; e a mesma voz que disse:
“Vós me deixareis sozinho”
também disse:
“Estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.”
Mas essa comunhão de Cristo com o Pai foi rompida naquela terrível hora em que ele clamou:
“Meu Deus, por que me abandonaste?”
Aqui pisamos à beira de mistérios que ultrapassam nossa compreensão; mas isto sabemos: foi nosso pecado e o pecado do mundo, tornados seus pela voluntária identificação de si mesmo conosco, que ergueram aquela negra muralha de separação.
Aquela hora de completa desolação — abandonado por Deus, desertado pelos homens — foi a hora da redenção do mundo.
E Jesus Cristo foi abandonado por Deus e desertado pelos homens para que você e eu jamais fôssemos nem uma coisa nem outra, mas encontrássemos em sua doce e constante companhia, ao mesmo tempo, a companhia de um homem e a presença de Deus.
Notas editoriais
Notas
- A transcrição fornecida pelo SermonIndex omite o texto-base de abertura e apresenta o sermão sob o título derivado A Confession and a Warning. Em Expositions of Holy Scripture: St. John, Chaps. XV to XXI, o título é “Glad Confession and Sad Warning” e o texto-base é João 16:29–32. O trecho foi restaurado e traduzido diretamente da redação inglesa de Maclaren, sem harmonização com uma versão bíblica portuguesa. O metadado do SermonIndex também está desalinhado: sua descrição e suas referências bíblicas tratam de outros temas e passagens, enquanto o sermão é inequivocamente uma exposição de João 16:29–32. ↩
- A linha “A little faith all undisproved” está presente no texto integral de Expositions of Holy Scripture, entre a observação sobre a consagração imperfeita e “to His merciful feet”, mas foi omitida da transcrição fornecida pelo SermonIndex. Foi restaurada e mantida como citação poética independente. ↩
- Foram corrigidos diversos defeitos menores da transcrição por confronto com o texto integral, entre eles: “and possess insight” → “and possessed insight”; “the greatness what He meant” → “the greatness of what He meant”; ausência de pontuação em “These men's stammering tongues are loosed. They…”; e “every lonely hears” → “every lonely heart”. Essas correções são puramente textuais e não acrescentam conteúdo ao sermão. ↩
- No trecho sobre a fuga dos discípulos, a transcrição do SermonIndex diz “The Cross made them cowards”, enquanto o testemunho integral traz “The Cross made them dastards”. A tradução usa “pusilânimes”, preservando a força depreciativa maior do original. ↩
- A frase “We trusted” depende, no inglês, da terminação verbal que marca que a confiança ficou no passado. Como esse efeito formal não pode ser reproduzido pela mesma mecânica em português, a tradução explicita o ponto retórico como “Que mundo de tristeza existe nesse tempo passado!”, sem acrescentar uma interpretação estranha ao argumento. ↩
- O encerramento da transcrição fornecida diz que, na companhia de Cristo, encontramos “the fellowship of a man and the presence of a God”. O testemunho integral de Expositions of Holy Scripture traz “the society of man and the presence of God”. A tradução segue a leitura historicamente atestada: “a companhia de um homem e a presença de Deus”. ↩