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Sermão

Esperai Perfeitamente

Informações editoriais

Título original
Hope Perfectly
Texto-base
1 Pedro 1:13
Fonte histórica verificada
SermonIndex — https://www.sermonindex.net/speakers/alexander-maclaren/hope-perfectly/ Fonte verificada
Tradutor
Samuel Figueira Aguiar
Tempo de leitura
17 minutos

“Por isso, cingindo os lombos de vosso entendimento e sendo sóbrios, esperai perfeitamente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo.” — 1 Pedro 1:13[1]

O cristianismo transformou a esperança e lhe deu nova importância, abrindo-lhe um novo mundo em que se mover e fornecendo-lhe novas garantias sobre as quais repousar.

Há algo muito notável na proeminência que o Novo Testamento dá à esperança e no poder que lhe atribui para ordenar uma vida nobre. Paulo chega a dizer que somos salvos por ela.

Para o cristão, ela já não é um sonho agradável que talvez seja inteiramente ilusório e cuja indulgência quase certamente enfraqueceria as forças de um homem; é uma antecipação certa de certezas, cujo efeito será aumentar a energia e a pureza.

Assim, nosso Apóstolo, tendo no contexto anterior praticamente resumido todo o Evangelho, fundamenta nesse resumo uma série de exortações, cuja transição é marcada pelo “por isso” que abre meu texto. A aplicação dessa palavra deve ser ampliada de modo a abranger tudo o que veio antes na carta; e então segue uma série de conselhos práticos, o primeiro dos quais — a graça ou virtude que ele coloca à frente de todas as demais — não é aquilo que talvez esperássemos, mas isto:

“Esperai perfeitamente.”[2]

Antes de prosseguir, quero apenas observar, a respeito da linguagem de meu texto, que, traduzidas com exatidão, as duas exortações que precedem a ordem de esperar são subordinadas a ela. Devemos ler:

“Por isso, cingindo os lombos de vosso entendimento e sendo sóbrios, esperai.”

Isto é, essas duas coisas são preliminares, condições ou meios pelos quais deve ser buscado e alcançado o desejado aperfeiçoamento da esperança cristã.

Outra observação preliminar que preciso fazer é que aquilo que aqui se ordena não diz respeito à duração, mas à qualidade da esperança cristã.

Não é “esperai até o fim”, mas, como concordam em dizer as margens da Versão Autorizada e da Versão Revisada:

“Esperai perfeitamente.”

Temos, então, três coisas aqui: o objeto, o dever e o cultivo da esperança cristã.

Consideremo-las nessa ordem.

I. O objeto da esperança cristã

O objeto é apresentado numa linguagem um tanto notável:

“A graça que vos há de ser trazida na revelação de Jesus Cristo.”

Em geral usamos a palavra “graça” num sentido mais restrito, referindo-nos aos dons de Deus concedidos aos homens aqui na terra. Ela seria o penhor da herança, em vez de sua plenitude.

Mas aqui é perfeitamente evidente que, por essa expressão, o Apóstolo quer dizer precisamente a mesma coisa que já havia designado, no contexto anterior, mediante três frases diferentes:

“uma herança incorruptível e incontaminada”;

“louvor, honra e glória na revelação de Jesus Cristo”;

e

“o fim de vossa fé, a saber, a salvação de vossas almas”.

A “graça” não é contrastada com a “glória”; é outro nome para a glória.

Não é o penhor da herança; é a própria herança.

Não é o meio para alcançar a progressiva e, por fim, completa “salvação de vossas almas”; é essa própria salvação completa em toda a sua plenitude.

Ora, esse é um emprego incomum da palavra. Mas o fato de ela ser usada aqui para descrever o grande objeto futuro da esperança cristã sugere dois ou três pensamentos.

Um deles é que aquela bem-aventurança final, com todas as suas glórias tênues e nebulosas — que só poderão ser resolvidas em estrelas distintas quando estivermos milhões de léguas mais perto de seu esplendor —, assim como o mais tênue lampejo de uma vida nova e melhor numa alma aqui na terra, é pura e exclusivamente resultado do amor imerecido e condescendente de Deus, que se inclina até homens pecadores e, em vez de retribuição, lhes concede um céu.

A graça que primeiro nos salvou, a graça que durante nossa experiência terrena chega até nós filtrada em gotas, por fim será derramada sobre nós como uma inundação.

E a glória mais resplandecente do céu é uma manifestação da graça divina tanto quanto os primeiros germes rudimentares de uma vida melhor aqui e agora.

O fundamento, as sucessivas fiadas do edifício, o pináculo cintilante no cume, com sua torre dourada elevando-se ainda mais no azul — tudo é obra do mesmo amor imerecido, condescendente e perdoador.

Glória é graça; e o céu é resultado da misericórdia perdoadora de Deus.

Há outra sugestão a fazer, decorrente desse uso eloquente do termo. Não se trata apenas da identidade da fonte da experiência cristã na terra e no futuro, mas também da identidade da própria experiência cristã quanto a seu caráter essencial.

Se posso dizer assim, tudo pertence à mesma peça, é homogêneo, tecido numa única trama.

A veste não tem costura; é tecida de ponta a ponta com o mesmo fio.

A vida do cristão mais humilde, do cristão mais imperfeito, do cristão mais infantil, do cristão mais ignorante aqui na terra possui, em suas características essenciais, exatamente as mesmas coisas que a vida daqueles espíritos fortes que se movem na luz ao redor do trono e recebem em sua natureza em expansão a plenitude sempre crescente da glória do Senhor.

A graça aqui é a glória em botão; a glória lá é a graça em fruto.

Mas há ainda outro grande pensamento a ser observado nessa linguagem notável.

As palavras de meu texto, traduzidas literalmente, são:

“a graça que está sendo trazida a vós”.

Muitas explicações foram dadas para essa frase extraordinária; e penso que seu significado não se esgota, nem é inteiramente equivalente, à forma pela qual ela é representada em nossa versão:

“que vos há de ser trazida”.

Essa redação relega tudo ao futuro. Na concepção de Pedro, porém, de algum modo ela já está no presente.

Ela está sendo trazida.

O que isso significa?

Há estrelas distantes no céu cujos raios partiram de sua morada de luz há milênios e vêm atravessando os ermos do universo desde muito antes de existirem homens; e ainda não chegaram a nossos olhos.

Mas estão a caminho.

Do mesmo modo, na concepção de Pedro, o apocalipse da glória, que é a manifestação culminante da graça, avança velozmente em nossa direção através dos séculos, através das esferas; algum dia estará aqui, e seus raios incidirão sobre nosso rosto e o farão resplandecer com sua luz.

Tão certa é a chegada da graça que o Apóstolo fala dela como algo que já está a caminho.

A grande realidade à qual se apega a esperança cristã não é um “talvez”, mas um bem que já iniciou sua jornada em nossa direção.

Há ainda outro pensamento a sugerir: a revelação de Jesus Cristo é a chegada, para seus filhos, dessa graça que é glória, dessa glória que é graça.

Observem como o Apóstolo diz:

“a graça que está sendo trazida a vós na revelação de Jesus Cristo”.

E a revelação a que ele se refere aqui não é aquela passada, de sua vida encarnada sobre a terra, mas a futura, para a qual a esperança da Igreja fiel deve estar sempre firmemente voltada — verdade correlata àquela outra sobre a qual repousa sua fé.

Sobre estes dois grandes pilares, que se elevam como colunas de cada lado do abismo do Tempo —

“Ele veio.”

“Ele virá.”

— está suspensa a ponte pela qual podemos atravessar em segurança a torrente espumante que, de outro modo, nos tragaria.

A revelação do passado clama pela revelação do futuro.

A Cruz exige o Trono.

O fato de ele ter vindo uma vez como sacrifício pelo pecado permanece incompleto — como algum edifício deixado inacabado, com pedras ásperas projetando-se para fora e profetizando uma ampliação futura —, a menos que possamos acrescentar:

“aos que por ele esperam aparecerá segunda vez, sem pecado, para salvação”.[3]

Nessa revelação de Jesus Cristo, seus filhos encontrarão a graça-glória que é o objeto de sua esperança.

Assim dizem todos os escritores do Novo Testamento.

“Quando Cristo, que é nossa vida, se manifestar, então também nós nos manifestaremos com ele em glória”,

diz Paulo.

“A graça que vos há de ser trazida na revelação de Jesus Cristo”,

acrescenta Pedro.

E João completa o trio:

“Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele.”

Estas três coisas, irmãos —

com Cristo, glória com ele, semelhança com ele —

são tudo o que sabemos, e, bendito seja Deus!, tudo o que precisamos saber acerca daquele futuro indistinto.

Quanto mais nos limitarmos a essas três grandes certezas e afastarmos todas as questões subordinadas, ocultas em parte porque não poderiam ser reveladas e em parte porque não nos ajudariam se as conhecêssemos, tanto melhor para a simplicidade, o poder e a certeza de nossa esperança.

O objeto da esperança cristã é Cristo:

Cristo em sua revelação;

Cristo em sua presença;

Cristo comunicando-nos sua glória;

Cristo assimilando-nos a si mesmo.

Basta que Cristo tudo saiba, E nós estaremos com ele.

“A graça que está sendo trazida a vós na revelação de Jesus Cristo.”

II. O dever da esperança cristã

Observem agora o dever da esperança cristã.

Esperança, um dever?

Isso nos soa um tanto estranho.

Duvido muito que a maioria das boas pessoas reconheça ser tão imperativo cultivar a esperança quanto cultivar qualquer outra excelência ou virtude cristã.

Para cada homem que deliberada e conscientemente se empenha em tornar mais luminosa e mais operante em sua vida diária a esperança da bem-aventurança futura, encontraremos cem que se empenham em outras formas de aperfeiçoamento de seu caráter cristão.

E, contudo, certamente não são necessárias muitas palavras para demonstrar que essa esperança cheia de imortalidade não é mero luxo que o cristão pode acrescentar à alimentação simples do dever cotidiano ou deixar de provar, conforme lhe agrade.

Ela é elemento indispensável de toda experiência cristã vigorosa e capaz de dominar a vida.

Não preciso deter-me nisso, exceto para sugerir que essa vivacidade e continuidade de uma tranquila antecipação de um bem certo além da sepultura constitui um dos mais fortes motivos para a robustez e a eficácia gerais da vida cristã.

Há alguns anos, as pessoas costumavam dizer, muito mais do que dizem hoje, que a expectativa cristã do céu tendia a enfraquecer a energia na terra; zombavam de nós e falavam de nossa “preocupação com o outro mundo” como se fosse uma espécie de fraqueza ou defeito inerente à experiência cristã.

Praticamente abandonaram essa acusação hoje.

O sarcasmo anticristão, como tudo mais, tem suas modas; outras palavras de censura e desprezo tomaram agora o lugar daquela.

O fato simples é que ninguém enxerga a grandeza do presente a menos que o considere o vestíbulo do futuro; e esta vida presente é ininteligível e insignificante a menos que, além dela — para onde ela conduz e em vista de onde é moldada —, esteja a vida eterna.

Uma planície baixa e uniforme é triste e desolada, sem feições e melancólica, quando o céu sobre ela está coberto de nuvens.

Mas varram para longe o banco de nuvens e deixem o azul arquear-se sobre a charneca castanha: tudo começa a resplandecer, cada ondulação ganha relevo e pequenas formas tímidas de beleza aparecem em cada canto.

Do mesmo modo, se cobrimos o céu com as nuvens e névoas nascidas da indiferença e da mundanidade, o mundo se apequena; mas, se dissipamos a nuvem e desvelamos o céu, a terra se engrandece.

Se a esperança da graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo resplandece acima de toda a planura da terra, então a vida se torna solene, nobre, digna de nossos esforços mais vigorosos, exigindo-os e recompensando-os.[4]

Ninguém pode — e ninguém conseguirá — desferir golpes tão eficazes sobre as coisas presentes quanto o homem cuja força do braço deriva da convicção de que cada golpe do martelo sobre as coisas presentes está moldando aquilo que permanecerá com ele para sempre.

Meu texto não apenas ordena essa esperança como dever, mas também ordena que sua perfeição seja alvo de todo cristão.

O que é a perfeição da esperança?

Duas qualidades:

certeza e continuidade.

Primeiro, a certeza.

A definição da esperança terrena é uma antecipação de um bem que não é inteiramente certo; e, por isso, em todas as operações dessa grande faculdade limitadas ao âmbito da terra, encontramos misturados, numa multidão indistinguível,

“esperanças e temores que acendem a esperança”,

e que muitas vezes também a matam.

Mas o cristão possui uma antecipação certa de um bem certo; e, para ele, a memória não precisa ser mais firme do que a esperança, nem o passado mais inalterável e certo do que o futuro.[5]

O lema de nossa esperança não é o “talvez”, que é o máximo que ela consegue dizer quando fala a língua da terra, mas o

“em verdade! em verdade!”

que chega a seus lábios libertos quando fala a língua do céu.

Sua esperança, ó cristão, não deveria ser aquela coisa trêmula que tantas vezes é, exprimindo-se em frases como:

“Bem, não sei; mas espero, tremendo…”

Ela deveria dizer:

“Eu sei e estou certo do descanso que permanece, não por causa daquilo que eu sou, mas por causa daquilo que ele é.”

Outro elemento da perfeição da esperança é sua continuidade.

Isso nos atinge a todos, não é verdade?

Às vezes, em tempo sereno, vislumbramos, muito além do mar, as ameias resplandecentes da

“Cidade que tem fundamentos”;

depois chegam névoas e tempestades impelidas pelo vento e a escondem.

Há uma grande montanha na África Central que, se alguém deseja ver, precisa aproveitar uma hora favorável no início da manhã, pois durante todo o restante do dia ela fica envolta em nuvens, invisível.

É assim sua esperança, homem cristão, mulher cristã?

Resplandece de vez em quando e logo volta a ser engolida pela escuridão?

Irmãos! Essas duas coisas — certeza e continuidade — são possíveis para nós.

Ai de nós, porque tão raramente as desfrutamos.

III. O cultivo dessa esperança cristã

Agora, uma última palavra.

Meu texto fala da disciplina ou do cultivo dessa esperança cristã e prescreve duas coisas como auxiliares para isso.

O caminho para cultivar a esperança perfeita — a única que corresponde ao dom de Deus — é:

“cingindo os lombos de vosso entendimento e sendo sóbrios”.

Naturalmente, temos aqui uma das poucas reminiscências que encontramos nas Epístolas das ipsissima verba, das próprias palavras de nosso Senhor.

Pedro evidentemente se refere ao mandamento de nosso Senhor de ter

“os lombos cingidos e as lâmpadas acesas”,

e de sermos

“semelhantes a homens que esperam por seu senhor”.

Não preciso lembrá-los da vestimenta oriental que torna essa metáfora especialmente significativa: as roupas largas e soltas que se enroscam nos pés do homem quando ele corre e que precisam ser erguidas e firmemente presas por um cinto ao redor da cintura antes de qualquer viagem ou trabalho.

A metáfora é a mesma de nossa linguagem coloquial quando falamos em alguém “recompor-se”, reunindo todas as suas forças.

Assim como um operário inglês aperta o cinto mais um furo quando tem diante de si algum trabalho especial, Pedro nos diz:

Façam um esforço definido, retesem-se resolutamente e concentrem todas as suas forças, ou jamais verão a graça que corre em sua direção através dos séculos.

Há abundância de pessoas frouxas, dispersas e sem firmeza por todo o mundo e em todos os setores — e elas nunca chegam a coisa alguma.[6]

É vergonhoso que alguém tenha os pensamentos tão frouxamente cingidos e errantes que qualquer espinheiro à beira do caminho possa agarrá-los e impedir seu avanço.

Mas é dez vezes mais vergonhoso que cristãos, tendo diante de si um objeto tão grandioso para contemplar, permitam que sua mente se disperse por todas as trivialidades do tempo, em vez de reuni-la e projetá-la, por assim dizer, com toda a força, em direção às realidades soberanas da Eternidade.

Uma moeda de seis pence mantida bem junto ao olho pode esconder o sol; e as trivialidades da terra, tão próximas de nós, impedirão que apreendamos como realidade aquelas coisas que nem a vista, nem a experiência, nem o testemunho nos revelam, a menos que, cerrando os dentes, por assim dizer, façamos um esforço obstinado para mantê-las diante da mente.

A outra condição preliminar é:

“sendo sóbrios”.

Naturalmente, precisamos estender essa expressão ao mais amplo significado possível.

Ela implica não apenas abstinência ou uso moderado de intoxicantes ou de bens materiais que satisfazem os apetites, mas também retirar-nos, às vezes completamente, e sempre refrear-nos no uso daquilo que é presente e material.

Um homem dispõe apenas de determinada quantidade de emoção e interesse para despender; se a lança inteira sobre o mundo, nada lhe sobra para o céu.

Ele será como o moleiro que estraga um belo rio desviando suas águas para sua própria levada a fim de moer algum grão.[7]

Se houver a mais tênue película de poeira sobre a lente do telescópio — ou sobre seu espelho, caso seja um telescópio refletor —, vocês não verão as constelações dos céus.

E, se estendemos sobre nosso espírito a película da absorção pelas coisas terrenas, todas aquelas glórias luminosas acima de nós, no que nos diz respeito, deixarão de existir.

Portanto, amados, há uma solene responsabilidade posta sobre nós pelo dom dessa grande faculdade de olhar para diante e para trás.

Para que Deus fez você e a mim capazes de antecipar o futuro?

Para deixarmos nossas esperanças correrem pelos níveis baixos?

Ou para as elevarmos e entrelaçá-las às próprias colunas do Trono de Deus?

Qual dos dois?

Não os censuro porque esperam; censuro-os porque esperam de maneira tão mesquinha e acerca de coisas tão triviais e transitórias.

Lembro-me de ter visto certa vez uma ave marinha mantida num jardim, confinada entre altos muros e com as asas cortadas, obrigada a catar larvas e insetos.

Ela deveria estar lá fora, pairando sobre o oceano livre ou subindo com asas iluminadas pelo sol até uma altura em que a terra se tornasse um ponto e todos os seus ruídos se calassem.

É isso que alguns de vocês estão fazendo com sua esperança:

rebaixando-a à terra em vez de deixá-la elevar-se até Deus.

Entrem para dentro do véu e contemplem a glória da

“herança incorruptível e incontaminada”.

Notas editoriais

Notas

  1. A transcrição fornecida pelo SermonIndex começa diretamente pelo primeiro parágrafo e omite o texto-base. Em testemunhos integrais de Expositions of Holy Scripture, o sermão aparece como “HOPE PERFECTLY”, sobre 1 Pedro 1:13. O versículo foi restaurado e traduzido diretamente da redação inglesa empregada por Maclaren. A forma “esperai perfeitamente” foi preservada porque todo o argumento introdutório depende precisamente do contraste entre a leitura qualitativa perfectly e a leitura temporal to the end. ↩
  2. A transcrição fornecida traz “practical advises”. Os testemunhos integrais consultados trazem “practical advices”. A tradução usa simplesmente “conselhos práticos”, sem reproduzir a corrupção. ↩
  3. A transcrição traz “tugged stones protruding”. O testemunho integral confirma “rugged stones protruding” — pedras ásperas ou irregulares projetando-se de um edifício inacabado. A tradução segue essa leitura. ↩
  4. Tanto a transcrição do SermonIndex quanto vários testemunhos digitais derivados de Expositions of Holy Scripture trazem aqui “the hope of the grave that is to be brought unto you”. No contexto, porém, a frase retoma diretamente o texto de 1 Pedro 1:13, repetido ao longo do sermão como “the grace that is being brought unto you”. “Grave” produz uma construção semanticamente anômala; por isso foi tratado, de forma transparente, como provável erro tipográfico histórico por “grace”, e traduzido “a esperança da graça”. Não há tentativa de ocultar a variante transmitida. ↩
  5. Os testemunhos digitais consultados trazem “the past no more unalterable and uncertain than the future”. Isso contradiz a própria tese da frase — a esperança cristã deve ser tão fixa quanto a memória e o futuro tão certo quanto o passado. A tradução adota “certo” como emenda contextual provável para uncertain, registrando aqui a intervenção em vez de deixar no corpo uma frase logicamente invertida. ↩
  6. A transcrição apresenta diversos sinais `?` em lugar de hífens — por exemplo life?dominating, Anti?Christian, far?off, slack?braced — decorrentes de corrupção de codificação. Eles foram normalizados conforme os testemunhos integrais, sem alteração semântica. ↩
  7. A transcrição fornecida traz “the miner who spoils some fair liver”. O testemunho integral conserva “the miller that spoils some fair river”. A imagem é a de um moleiro que desvia as águas de um rio para sua levada; a tradução segue a leitura confirmada. ↩