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Sermão

O Cristo Ausente-Presente

Informações editoriais

Título original
The Absent Present Christ
Texto-base
João 14:18–19
Fonte histórica verificada
SermonIndex — https://www.sermonindex.net/speakers/alexander-maclaren/the-absent-present-christ/ Fonte verificada
Tradutor
Samuel Figueira Aguiar
Tempo de leitura
18 minutos

“Não vos deixarei desamparados; virei a vós. Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais; mas vós me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis.” — João 14:18–19[1]

As doces e graciosas consolações com que Cristo vinha acalmando os temores dos discípulos penetravam fundo, mas até então ainda não haviam penetrado fundo o bastante.

Já era muito que soubessem o propósito de sua partida, para onde ele ia e que tinham interesse em sua ida. Era muito que tivessem diante de si a perspectiva de reencontro; muito que soubessem que, durante toda a sua ausência, ele estaria operando neles; e muito que tivessem a certeza de que, ausente, lhes enviaria um grande dom.

Mas reencontro, influência exercida de longe e dons vindos do outro lado do abismo não eram tudo aquilo de que seu coração necessitava.

E assim nosso Senhor lhes dá ainda mais, nestes paradoxos: ausente, estará presente; invisível, será visto; morrendo, será para eles eternamente vivo e vivificador.[2]

Esses grandes pensamentos atingem o centro das necessidades deles e das nossas; e é sobre eles que agora desejo falar brevemente.

Há, então, nas palavras que li — embora sejam apenas um fragmento de um contexto estreitamente entrelaçado — estes três grandes pensamentos:

o Cristo ausente é o Cristo presente; o Cristo invisível é o Cristo visto; o Cristo que morre é o Cristo vivo e vivificador.

Consideremo-los tal como estão.

I. O Cristo ausente é o Cristo presente

“Não vos deixarei desamparados” —

ou, como traz a Versão Revisada,

“desolados — virei a vós”.

A maioria de nós sabe, suponho, que o significado literal da palavra traduzida por “desamparados” ou “desolados” é “órfãos”.

Essa, porém, é uma forma um tanto incomum de representar a relação entre nosso Senhor e seus discípulos; por isso, talvez nossas versões estejam corretas ao transmitir a ideia geral de desolação em vez da ideia específica diretamente contida na palavra.

Ainda assim, deve-se lembrar que toda essa conversa começa com

“Filhinhos”;

e não parece haver forte razão para suprimir o significado literal da palavra, desde que nos lembremos de que ela é empregada não tanto para definir a relação de Cristo com seus irmãos quanto para descrever a condição desamparada e indefesa daquele pequeno grupo quando fosse deixado por ele.

Seriam como crianças sem pai nem mãe num mundo frio.

E o que impediria isso?

Uma única coisa:

“Virei a vós.”

“Então, e somente então, deixareis de ser desolados e órfãos. Minha presença mudará tudo e transformará o inverno num verão glorioso.”

Ora, o que é essa “vinda”?

Deve-se observar que nosso Senhor não diz “virei”, como simples futuro, mas

“venho”,

ou

“estou vindo”,

como algo imediatamente iminente e, quase podemos dizer, já presente.

A palavra não pode referir-se àquela vinda final para o juízo, ainda tão distante; pois, se assim fosse, seguir-se-ia do texto que, até aquele momento, todos os que o amam aqui na terra teriam de vagar como órfãos, desolados e abandonados.

E isso certamente não pode ser.

Precisamos, portanto, reconhecer aqui a promessa de uma vinda contemporânea de sua ausência e que, na verdade, é apenas o outro lado de sua ausência corporal.

É verdadeiro a respeito dele que “se afasta” corporalmente de seu povo

“por um tempo, para que possam recebê-lo”

de forma melhor

“para sempre”.

Eis, então, o coração e o centro da consolação: por mais que sua presença exterior seja retirada e os “tolos sentidos” tenham de falar de um Cristo ausente, podemos alegrar-nos na certeza de que ele está com todos os que o amam — e está tanto mais plenamente com eles justamente porque aquela manifestação terrena, depois de cumprir seu propósito, foi retirada como impedimento, e não como auxílio, para a comunhão plena.

Confundimos o corporal com o real.

A presença corporal terminou; a presença real permanece para sempre.

Não preciso insistir, suponho, na manifesta implicação de divindade absoluta contida em palavras como estas:

“Venho.”

“Embora ausente, estou presente em todas as gerações. Estou presente com cada coração individual.”

Isso equivale à onipresença da Divindade; equivale à existência imperecível da natureza divina, ou necessariamente a implica.

E aquele que, ao deixar a terra e retirar dos olhos dos homens a doçura de sua forma visível, diz:

“Venho”,

no próprio ato de partir, e:

“Estou convosco sempre, com todos vós, até o fim dos séculos”,

não pode ser menos que Deus — manifestado na carne por algum tempo e presente no Espírito com seus filhos para sempre.

Não consigo deixar de pensar que a vida cristã comum de nossos dias falha lamentavelmente na apreensão simples e consciente dessa grande verdade; e que todos nós vivemos muito pouco naquela certeza serena, feliz e fortalecedora de que nunca estamos sozinhos, mas temos Jesus Cristo com cada um de nós de maneira mais íntima, mais verdadeira, mais acessível e com maior onipotência de influência do que o tinham aqueles que estiveram mais próximos dele durante os dias em que viveu sobre a terra.

Oh, irmãos! Se realmente crêssemos — não apenas como artigo de nosso credo, que se tornou tão familiar que pouco efeito produz em nós, mas como convicção vital e sempre presente em nossa alma — que conosco está sempre a presença real do Cristo real, como todos os fardos e cuidados se tornariam mais leves!

Como todas as perplexidades começariam a se desfazer e endireitar!

Como toda a força seria arrancada das tentações!

E como tristezas, alegrias e todas as coisas mudariam de aspecto por causa dessa única convicção, intensamente apreendida e constantemente presente conosco!

Um Cristo presente é a Força, a Justiça, a Paz, a Alegria e, como veremos, no sentido mais literal, a Vida de toda alma cristã.

Notem ainda que essa vinda de nosso Senhor é identificada com a vinda de seu Espírito divino.

Ele vinha falando do envio daquele

“outro Consolador”;

mas, embora seja Outro, está de tal modo indissoluvelmente unido àquele que o envia que a vinda do Espírito é a vinda de Jesus.

Ele não é um dom levado até nós como se viesse do outro lado de um abismo; mas, por causa da unidade da Divindade e da divindade do Espírito enviado, Jesus Cristo e o Espírito que ele envia são distintos, embora inseparáveis, e tão indissoluvelmente unidos que onde está o Espírito, ali está Cristo; e onde está Cristo, ali está o Espírito.

Essas estão entre as coisas profundas que os discípulos ainda

“não eram capazes de suportar”

naquele estágio de seu desenvolvimento e que aguardavam explicação posterior.

Basta para eles — e basta para nós — saber que temos Cristo no Espírito e o Espírito em Cristo; e lembrar

“que, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse não é dele”.

Estamos aqui à margem de um mar sem praias e sem fundo; e, de minha parte, atrevo-me a pensar que os homens que falam das incredibilidades e contradições da fé ortodoxa se mostrariam um pouco mais sábios se fossem mais conscientes das limitações da capacidade humana e se lembrassem de que pronunciar-se sobre contradições na doutrina da natureza divina implica que aquele que assim se pronuncia esteja acima dela e seja capaz de circundá-la por inteiro.

Assim, de minha parte, renunciando à onisciência e à pretensão de compreender a Divindade, aceito a declaração de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo vêm juntos e habitam no coração.

Notem ainda que esse Cristo presente é o único Remédio para a orfandade do mundo.

As palavras tinham uma referência terna e comovente àquele pequeno e perplexo grupo de seguidores, privados de seu Guia, seu Mestre e seu Companheiro.

Aquele que havia sido como olhos para sua visão fraca, Conselheiro, Inspirador e tudo para eles durante três anos benditos estava partindo e os deixaria sem abrigo diante da tempestade.

Podemos compreender quão desamparados e aterrorizados estavam ao pensarem em enfrentar, sem sua presença, tudo aquilo que necessariamente lhes sobreviria.

Por isso ele os anima com a certeza de que não ficarão sem ele; mas que, ainda presente justamente porque está ausente, continuará sendo para eles tudo aquilo que sempre fora.

E a promessa se cumpriu.

Como aquele desalentado grupo de homens covardes encontrou coragem para permanecer unido depois da Crucificação?

Por que não seguiram o exemplo dos discípulos de João, dissolvendo-se e desaparecendo, e dizendo:

“Acabou. Não adianta mais permanecermos juntos”?

O processo de dispersão começou no próprio dia da Crucificação.

Somente uma coisa poderia tê-lo interrompido: a Ressurreição e a presença, com sua Igreja, do Cristo ressuscitado, em seu poder e na plenitude de seus dons.

Se ele não tivesse vindo a eles, teriam desaparecido, e o cristianismo teria sido apenas mais uma das seitas fracassadas e esquecidas dentro do judaísmo.

Mas, como as coisas realmente são, todo o Novo Testamento posterior ao Pentecostes arde com a consciência de um Cristo presente operando entre seu povo.

E, embora seja verdade que, num aspecto, estamos

“ausentes do Senhor”

quando presentes no corpo, em outro aspecto — infinitamente mais elevado — é verdade que a força da vida cristã dos apóstolos e mártires era precisamente esta certeza: de que o próprio Cristo — não mera metáfora retórica para sua influência, seu exemplo ou sua memória persistente na imaginação deles, mas o verdadeiro Cristo em pessoa — estava presente com eles para fortalecê-los e abençoá-los.

Essa mesma convicção precisa ser nossa, se o mundo não há de tornar-se para nós um deserto e um lugar desolado.

Em sentido muito profundo, é verdade que, se retirarmos Jesus Cristo — o Irmão mais velho, único que revela o Pai aos homens —, todos somos órfãos, filhos sem pai, olhando para um céu vazio e nada vendo ali.

Somente Cristo nos revela o Pai e faz nosso coração feliz sentir que somos seus filhos.

E, no sentido mais amplo da palavra “órfãos”, não é a vida uma desolação sem ele?

Alegrias vazias, bem-aventuranças passageiras, rosas cujos espinhos permanecem muito depois de caírem as pétalas, tristezas verdadeiras, aparências e imposturas, amarguras e decepções — não é isso nossa vida na medida em que Cristo foi expulso dela?

Oh! Só há uma coisa que nos salva de sermos crianças desoladas e sem pai, tateando no escuro em busca da mão perdida do Pai e morrendo por falta dela:

que o próprio Cristo venha a nós e esteja conosco.

II. O Cristo invisível é um Cristo visto

É claro que o período a que se refere a segunda cláusula de nosso texto é o mesmo a que se refere a primeira; que

“ainda um pouco”

abrange todo o intervalo até sua Ascensão; e que, se existe qualquer referência aos quarenta dias de sua vida terrena após a ressurreição, durante os quais, literalmente, o mundo

“não o viu mais”,

mas os apóstolos

“o viram”,

essa referência é apenas secundária.[3]

Essas aparições transitórias não possuem importância nem duração suficientes para sustentar o peso de promessa tão grandiosa.

A visão, que é consequência da vinda, possui a mesma extensão temporal que a própria vinda — isto é, é contínua e permanente.

Precisamos ler aqui a grande promessa de uma visão perpétua do Cristo presente.

Também é claro que a palavra “ver” é empregada nas duas cláusulas em sentidos diferentes.

Na primeira refere-se apenas à visão corporal; na segunda, à percepção espiritual.

Por mais algumas poucas horas, a massa ímpia dos homens ainda teria aquela visão exterior que poderia ter significado tanto para eles, mas da qual haviam feito uso tão ruim que

“vendo, não viam”.

Ela cessaria; e aqueles que o amavam não sentiriam sua falta quando cessasse.

A retirada que o escondia dos sentidos e das almas presas aos sentidos haveria de revelá-lo mais claramente a seus amigos.

Eles também o haviam visto apenas de maneira obscura enquanto ele permanecia ao lado deles; contemplá-lo-iam com percepção mais verdadeira quando estivesse presente embora ausente.

É isso, portanto, que toda vida cristã pode e deve ser:

a visão contínua de um Cristo continuamente presente.

A parte dele é vir.

A nossa é ver — estar conscientes daquele que vem.

A fé é a visão da alma, e é muito melhor do que a visão dos sentidos.

É mais direta.

Meu olho não toca aquilo que contemplo. Abismos de milhões de quilômetros podem separar-me do objeto.

Minha fé, porém, não é apenas olho, mas também mão; não apenas contempla, mas agarra e entra em contato com aquilo para o qual se dirige.

É muito mais clara.

Os sentidos podem enganar; a fé edificada sobre sua Palavra não pode enganar.

Sua informação é muito mais certa, muito mais válida.

Tenho melhores razões para crer em Jesus Cristo do que para crer nas coisas que toco e manuseio.

Não há, portanto, necessidade de os homens dizerem:

“Oh, se apenas o tivéssemos visto com nossos olhos!”

Muito provavelmente vocês não o teriam reconhecido, mesmo se o tivessem visto.

Não há razão para pensar que a Igreja tenha retrocedido em seus privilégios porque precisa amar em vez de contemplar e crer em vez de tocar.

Isso é avanço.

E estamos em condição melhor do que eles, na medida em que sobre nossa cabeça desce a bênção daqueles

“que não viram e, contudo, creram”.

A visão de Cristo concedida à alma fiel é melhor, e não pior; maior, e não menor; diferente em espécie, sem dúvida, mas também mais elevada em grau do que aquela concedida aos homens que o viram sobre a terra.

Os sentidos perturbam; somente a fé contempla.

“O mundo não me verá mais.”

Por quê?

Porque é mundo.

“Vós me vereis.”

Por quê?

Porque — e na medida em que — vocês

“desviaram os olhos de contemplar a vaidade”.

Se querem que o olho da alma seja aberto, precisam fechar o olho dos sentidos.

E quanto mais nos desviarmos de contemplar as mentiras deslumbrantes com que o tempo e o universo material nos iludem e confundem, tanto mais veremos aquele a quem ver é viver para sempre.

Oh, irmãos! Essa forte palavra “ver” exprime, em alguma medida, a vivacidade, a imediatez e a certeza de nossa apreensão da presença de nosso Mestre?

Jesus Cristo é para nós tão claro, tão perceptível e tão certo quanto os homens ao nosso redor?

Quais são para nós as sombras e quais são as realidades?

As coisas que se veem, às quais os sentidos conferem a coroa de “reais”?

Ou as coisas que não podem ser vistas porque são grandes demais e se erguem acima de nós, invisíveis em sua eternidade?

Para qual mundo nossos olhos estão mais abertos — o mundo onde Cristo está ou o mundo daqui?

Nossos olhos felizes podem contemplar, e nossas mãos benditas podem tocar, a Palavra da Vida que nos foi manifestada.

Tenhamos cuidado para não nos desviarmos da única coisa digna de ser contemplada a fim de fixar os olhos num mundo desolado e sombrio.

III. O Cristo presente e visto é vivo e vivificador

As últimas palavras de meu texto podem ser ligadas às anteriores, como mostra a leitura marginal da Versão Revisada.

Mas provavelmente é melhor entendê-las de modo independente, apresentando outro elemento, coordenado com os anteriores, da bem-aventurança que procede da vinda de Cristo.

Porque ele vem, sua vida passa para o coração dos homens aos quais vem e que o contemplam.

O tempo não me permite deter-me naquela majestosa proclamação de sua própria vida absoluta e divina, feita por lábios que muito em breve empalideceriam na morte.

Notem o grandioso:

“Eu vivo.”

O presente verbal atemporal exprime vida ininterrupta, não derivada, imperecível e, segundo creio, divina.

É quase uma citação do grande nome do Antigo Testamento:

“Jeová”.

A profundidade e a amplitude de seu significado são apresentadas no Apocalipse deste mesmo Apóstolo, onde Cristo é chamado

“o Vivente”,

aquele que vivia mesmo enquanto morria e que, tendo morrido,

“está vivo para todo o sempre”.

E esse Cristo, que vem a todos os seus amigos, que possui em si mesmo a plenitude da vida e proclama sua posse absoluta dessa vida mesmo estando a um passo do Calvário, é Vivificador de todos os que o amam e nele confiam.

Vivemos porque ele vive.

Em todos os sentidos da palavra “vida”, segundo creio, a vida dos homens deriva de Cristo, que é o Agente da criação, o canal pelo qual a vida passa da Divindade para as criaturas e também o único meio pelo qual qualquer um de nós pode esperar viver aquela vida melhor que é a única verdadeira e que consiste em comunhão com Deus e união com ele.

Viveremos enquanto ele viver; e seu próprio ser é penhor e garantia do ser imortal de todos os que o amam.

Qualquer coisa é mais concebível do que acreditar que uma alma que aqui na terra extraiu vida espiritual de Jesus Cristo possa algum dia ser arrancada dele por uma coisa externa e miseravelmente insignificante como a mera dissolução da estrutura corporal.

Enquanto Cristo viver, nossa vida estará segura.[4]

Se a Cabeça tem vida, os membros

“não podem ver corrupção”.

“Não me leves no meio de meus dias; teus anos são de geração em geração”,

foi a oração de um santo de outrora, que sentia profundamente o contraste entre a transitoriedade do adorador e a eternidade de Deus e esperava, ainda que de modo obscuro, que esse contraste pudesse transformar-se em semelhança.

A grande promessa de nosso texto responde à oração e garante que o adorador viverá tanto quanto aquele a quem adora.

Viveremos como ele vive e jamais cessaremos de apropriar-nos de seu ser até que conheçamos toda a sua vida e toda a sua plenitude tenha expandido nossa natureza — e isso jamais chegará ao fim.

Portanto, não morreremos.

A vida de homens já foi prolongada mediante transfusão de sangue de corpos vigorosos.

Jesus Cristo faz seu próprio sangue passar para nossas veias e nos torna imortais.

A Igreja escolheu como um de seus antigos emblemas do Salvador o pelicano, que, segundo a fábula, alimentava seus filhotes com o sangue do próprio peito.

Assim Cristo nos vivifica.

Ele em nós é nossa Vida.

Irmãos, sem Jesus Cristo somos órfãos num mundo sem Pai.

Sem ele, nossos olhos cansados e ainda insatisfeitos não têm diante de si senão trivialidades, provações e lixo.

Sem ele, estamos

“mortos enquanto vivemos”.

Ele, e somente ele, pode devolver-nos um Pai e renovar em nós o espírito de filhos.

Ele, e somente ele, pode satisfazer nossos olhos com a visão que é pureza, descanso e alegria.

Ele, e somente ele, pode soprar vida para dentro de nossa morte.

Oh! Deixem que ele faça isso por vocês.

Ele vem até nós com todos esses dons nas mãos, pois vem para dar-nos a si mesmo.

E em si mesmo, como

“numa caixa onde doces se acham reunidos”,[5]

está tudo aquilo de que corações solitários, olhos cansados e almas mortas podem algum dia necessitar.

Tudo é de vocês se vocês são de Cristo.

Tudo é de vocês se ele é de vocês.

E ele é de vocês se, pela fé e pelo amor, vocês se fazem dele e o tomam como seu.

Notas editoriais

Notas

  1. A transcrição do SermonIndex omite o texto-base que precede o sermão. Em Expositions of Holy Scripture: St. John, Chapters I to XIV, o título é “The Absent Present Christ” e o texto-base é João 14:18–19: “I will not leave you comfortless; I will come to you. Yet a little while, and the world seeth Me no more; but ye see Me: because I live, ye shall live also.” O trecho foi restaurado e traduzido diretamente da redação inglesa de Maclaren, sem harmonização com uma versão bíblica portuguesa. ↩
  2. Há duas perdas textuais logo na abertura da transcrição fornecida. Ela traz “dying will be for them for ever, life and life-giving”, enquanto o testemunho integral tem “dying will be for them for ever, living and life-giving”. No parágrafo seguinte, a transcrição traz “the Christ who dies life and life-giving”, enquanto o original é “the Christ who dies the living and life-giving Christ”. A tradução segue o texto integral, pois essas palavras são essenciais para o paralelismo retórico do sermão. ↩
  3. Neste ponto ocorre o caso inverso: a transcrição fornecida preserva corretamente “the world ‘saw Him no more’”, enquanto a edição digital do Project Gutenberg consultada apresenta “the work ‘saw Him no more’”, evidente erro tipográfico/OCR. A tradução segue “mundo”, que é sustentado tanto pela fonte fornecida quanto pelo próprio João 14:19. ↩
  4. A transcrição fornecida traz “As long as Christ lives your life is secure.” O testemunho integral de Expositions of Holy Scripture traz “As long as Christ lives our life is secure.” A tradução segue o texto integral: “nossa vida estará segura”. ↩
  5. Maclaren cita a expressão “in a box where sweets compacted lie”, proveniente da tradição poética inglesa. A tradução foi feita diretamente da frase tal como citada no sermão, sem substituí-la por uma tradução literária preexistente. ↩