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Editorial

Exortações a uma União Geral em Oração Extraordinária

Quando, na associação realizada em Nottingham, em 3 de junho de 1784, foi apresentada uma proposta de reuniões de oração pelo avivamento da religião e pela expansão do reino de Cristo no mundo, concordou-se que, em todas as nossas igrejas, separaríamos ao menos uma hora na noite da primeira segunda-feira de cada mês do calendário, a fim de nos reunirmos em nossos respectivos locais, conforme proposto ao final da Carta Circular. Desde então, alguns ministros julgaram desejável que se publicasse algo de caráter persuasivo, para nos despertar a uma verdadeira seriedade nesse importante empreendimento. A pedido deles, os pensamentos seguintes são submetidos à consideração.[^1]

Pelo avivamento e pela expansão da verdadeira religião

Dirigidas às igrejas da Associação de Leicestershire e Northamptonshire, e a quaisquer outros que amem e anseiem pela vinda do bendito reino de Cristo, e cujo coração esteja inclinado a se unir na busca de seu bem-estar.

Irmãos cristãos!

O empreendimento para cuja promoção estas poucas sugestões são, com o devido respeito, recomendadas à sua atenção imparcial é de tal natureza que estamos persuadidos de que vocês se unirão a ele de bom grado. De fato, seria falta de amizade suspeitarmos da prontidão de vocês para uma obra tão boa. Contudo, considerando a relutância e a desatenção comuns a todos nós neste mundo, vocês não julgarão supérfluo, neste caso, insistirmos em alguns motivos, na esperança de nos estimular a lutar intensamente com Deus. Desejamos, portanto, que vocês — e nós juntamente com vocês — considerem seriamente as seguintes ponderações.

I. Considerem a prontidão de Cristo para ouvir e responder à oração, especialmente acerca destes assuntos

Estamos muito enganados se imaginamos que nosso Senhor Jesus não tem prazer em sua própria obra, mas reluta em fazê-la prosperar e só o faz porque é persuadido por nós ou para nos atender. Ele tem infinitamente mais prazer nela do que nós; e, quando a faz prosperar em resposta às nossas orações, é para que sejamos encorajados e recebamos seus favores com gratidão. Cristo faz questão de nos mostrar quanto está pronto a ouvir a oração, especialmente em favor de sua própria causa, ao nos instruir a pedir essas bênçãos. Sim, ele nos ordena que oremos pela vinda de seu reino antes de pedirmos o pão de cada dia e que busquemos primeiro O REINO DE DEUS e a sua justiça, prometendo que todas as demais coisas nos serão acrescentadas.[^2] Com efeito, bem se pode supor que o coração de Cristo esteja nesta obra, pois ele entregou a vida como o terreno sobre o qual se ergueria a estrutura. O fundamento desse reino glorioso foi lançado em sangue — não, como o de tantos reinos terrenos, no sangue dos vencidos, mas no do Vencedor. Sim, ele morreu para que pudesse viver e ver uma numerosa descendência de convertidos, e para que prolongasse seus dias, isto é, estendesse seu santo e feliz reino. Quando subiu ao céu e tomou em suas mãos o governo de todos os mundos, foi com vistas ao avanço dessa causa bendita. Tornou-se cabeça sobre todas as coisas, mas para a igreja, a fim de fazer com que tudo contribuísse para o bem-estar dela. E agora, tendo morrido para lançar o fundamento de seu reino e presidido por tanto tempo sobre todos os reinos do mundo, fazendo amadurecer todas as coisas para ele, seria de fato muito estranho se lhe fosse indiferente! Longe disso: nada parece estar tão perto de seu coração. Ele se agrada em considerar a conversão dos pecadores recompensa suficiente por todas as suas dores, capaz de fazê-lo esquecer todas as suas provações! Assim como a mulher, logo depois de dar à luz, já não se lembra da angústia, pela alegria de ter nascido um homem no mundo, também se diz que ele VERÁ O FRUTO DO TRABALHO DE SUA ALMA E FICARÁ SATISFEITO! Sim, cristãos, tão longe está ele de relutar em nos conceder esses pedidos que, nesses assuntos, agrada-lhe não somente ordenar que peçamos, mas também representar a si mesmo como alguém que espera para ser gracioso e até como estando às nossas ordens, pronto a conceder essas misericórdias sempre que as pedirmos com fervor. “Assim diz o Senhor, o Santo de Israel: Perguntai-me as coisas futuras acerca de meus filhos; e acerca da obra das minhas mãos, ordenai-me!” Vejam quanto ele está atento ao que diz respeito a seus filhos e à obra de suas mãos. Oh! Não sejamos tardios de nossa parte. Se isso o satisfará, que ele seja satisfeito! Se está tão pronto a ouvir, não sejamos tardios em pedir!

II. Considerem o que o Senhor fez em tempos passados, e que o fez em resposta à oração

Quando Israel, que naquele tempo era a igreja de Deus, estava no Egito, e a situação parecia realmente muito sombria, o povo clamou; o Senhor ouviu seu clamor e desceu para livrá-lo. Seu livramento representava a expansão do reino de Cristo, e Deus derrubou Faraó e todo o seu exército por se oporem a ele. Em épocas posteriores, quando estava abatida na Babilônia, a igreja é representada valendo-se disso como argumento diante de Deus. Assim clamaram a ele: “Desperta, desperta, reveste-te de força, ó braço do Senhor! Desperta como nos dias antigos, nas gerações passadas! Não és tu aquele que cortaste Raabe e feriste o dragão? Não és tu aquele que secou o mar, as águas do grande abismo, e fez das profundezas do mar um caminho por onde passassem os resgatados?” E a oração deles foi respondida? Sim, o Senhor logo replicou: “Eu sou o Senhor teu Deus, que dividiu o mar, cujas ondas rugiram; SENHOR DOS EXÉRCITOS é o seu nome!” Sim, como uma espécie de eco ao pedido deles: “Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, tu que bebeste da mão do Senhor o cálice de seu furor.” “Assim diz teu Senhor, JEOVÁ, e teu Deus, que pleiteia a causa de seu povo: Eis que tirei de tua mão o cálice de tremor, as fezes do cálice de meu furor; jamais tornarás a bebê-lo.” Ver Isaías 51:9, 17, 22. Enquanto Judá gemia sob o jugo de Babel, Daniel voltava o rosto três vezes ao dia para Jerusalém. Por fim, suas orações e súplicas foram ouvidas, e um anjo foi enviado para consolá-lo e até para informá-lo de que, no princípio de suas súplicas, saíra o mandamento em favor de Judá. E agora o procedimento de Deus para com Faraó e seu exército se repetiria com Belsazar e o seu. Sim, ele não apenas deu o Egito e a Etiópia, mas também a Babilônia como resgate de seu povo. A igreja de Deus havia sido reduzida a uma condição extremamente baixa pouco antes da vinda de Cristo; mas qual foi a conduta daqueles poucos que estavam do lado de Deus? Alguns deles são distinguidos como os que ESPERAVAM A REDENÇÃO EM JERUSALÉM, e de outros se diz que PERMANECIAM EM ORAÇÕES NOITE E DIA. Por fim, graças à terna misericórdia de Deus, suas orações foram respondidas, e a AURORA DO ALTO os visitou!

Pouco antes daquele grande derramamento do Espírito no dia de Pentecostes, a igreja estava em condição abatida e desconsolada, pois havia perdido a presença pessoal de Cristo. Contudo, cerca de cento e vinte pessoas se reuniram unânimes em fervorosa oração num cenáculo. Logo, sua luz irrompeu como a manhã; o menor se tornou mil, e o pequeno, uma nação forte. Milhares foram convertidos por um único sermão, e Satanás caiu diante do evangelho de Cristo como relâmpago do céu. Não poderíamos fazer o mesmo uso dessas gloriosas obras de Deus — juntamente com algumas outras realizadas naquele dia — que Judá, na Babilônia, fez do que Deus havia realizado em favor deles no Egito? Não poderíamos agora rogar a Cristo: “Desperta, desperta, reveste-te de força, ó braço do Senhor! Desperta como nos dias antigos! Não és tu aquele que abateste o inimigo quando pendias na cruz, que feriste seus interesses no dia de Pentecostes?” E não podemos suplicar que, assim como Deus destruiu a Babilônia e libertou sua igreja, também destrua o poder e os princípios da Babilônia mística? Ele preservou um povo — os valdenses — que, nos piores tempos, não dobrou os joelhos diante da imagem desse ídolo; e, quando estavam quase exterminados pela perseguição, levantou na Reforma um grupo de homens que lhe aplicou uma ferida mortal, da qual ela jamais se recuperou até hoje. Oh! Oremos ao Senhor Jesus para que a obra prossiga; para que o ANTICRISTO SEJA CONSUMIDO PELO ESPÍRITO DE SUA BOCA E DESTRUÍDO PELO RESPLENDOR DE SUA VINDA; para que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Senhor e de seu Cristo, e para que ele reine para todo o sempre.

III. Considere-se, para esse fim, o atual estado religioso do mundo

O cristianismo ainda não se difundiu, nem sequer de nome, por mais de uma quinta parte do mundo. Dos cerca de 730 milhões de habitantes que se supõe povoarem nosso globo, não mais de 122 milhões professam o nome cristão; todos os demais são pagãos, judeus ou maometanos. E, dos que o professam, a grande maioria pertence ou à igreja apóstata de Roma, ou à Igreja Grega, quase tão corrompida quanto ela. Acrescente-se a isso o grande número de verdadeiros pagãos que há nas terras cristãs, e de incrédulos até nas congregações dos fiéis. Certamente já é mais que tempo de despertarmos do sono e enviarmos ao céu nossos clamores unidos em favor de nossos semelhantes! Entre os que estão sob as trevas pagãs, alguns são civilizados; outros, porém, ainda permanecem extremamente bárbaros e incultos, matando uns aos outros e alguns até devorando-se mutuamente! Somos obrigados a acrescentar que grande número deles geme sob a tirania e a escravidão impostas por nações que levam o nome cristão. Oh! Que as iniquidades praticadas em ambas as Índias nos despertem a orar pela expansão universal do reino de Cristo. Pobres almas: milhões delas estão DUPLAMENTE escravizadas! São escravas da opressão europeia, por um lado, e de sua própria superstição, por outro. Oh! Oremos pelo tempo em que Cristo quebrará ambos os jugos; em que a opressão cessará na terra, e a idolatria desaparecerá como as trevas espessas diante do sol nascente!

O estado da religião no mundo cristão apresenta, em alguns aspectos, uma aparência melancólica e, em outros, uma aparência esperançosa; ambas demonstram a necessidade da oração. É de temer que, ultimamente, a santidade real e viva tenha perdido bastante terreno. Nos últimos cinquenta anos, realizou-se uma obra considerável para Deus, particularmente na Grã-Bretanha, na Holanda e na América; e há esperança de que algo dela ainda prossiga. Nos últimos anos, contudo, parece ter declinado muito. Em grande medida, parecemos ter perdido aquele espírito de oração fervorosa e diligência incansável que acompanhou os derramamentos do Espírito de Deus. Se o Espírito de Deus foi entristecido e, por isso, em grande medida se retirou de nós, isso causa alguma surpresa? Quando a doutrina de sua bendita influência é tão maltratada, de um lado, pelas mais criminosas concessões à carnalidade e à preguiça, e quase negada, de outro, por muitos que afundaram num espírito e em concepções tais que parecem mal acreditar que exista um Espírito Santo, é de admirar que ele volte ao seu lugar até que aprendamos, por dolorosa experiência, quanto necessitamos dele? Essas coisas parecem MELANCÓLICAS. Oh! Oremos para que Deus levante entre nós um grupo de homens para pregar seu evangelho — homens dotados de UMA UNÇÃO DO SANTO; homens possuídos de sincero amor por Cristo e pelas almas; numa palavra, HOMENS DE DEUS! Tampouco nos esqueçamos de orar pelos que já foram levantados, para que sejam inspirados com ardor ainda maior; e, sobretudo, para que todos os nossos trabalhos sejam coroados de êxito divino!

Por outro lado, deve-se dizer que algumas coisas, na ordem providencial, apresentam uma aparência ESPERANÇOSA. A liberdade de consciência avançou consideravelmente nos últimos tempos nos domínios germânicos e é desfrutada em sua maior extensão nos Estados Unidos da América do Norte, que provavelmente se tornarão, com o tempo, um Império muito considerável.[^3] Isso certamente oferece aos servos de Deus uma grande OPORTUNIDADE de trabalhar pela conversão das almas. É uma espécie de PORTA ABERTA para eles. Oh! Oremos para que todos os amigos de Deus, especialmente seus ministros, tenham coração para abraçar essas oportunidades e sejam abençoados no uso de todos os meios possíveis para a propagação do evangelho.

IV. Considerem o que Deus prometeu fazer por sua igreja nos tempos futuros

Não podemos ter esperança alguma acerca de uma impossibilidade absoluta, nem temos autorização para orar por aquilo que Deus declarou que jamais acontecerá. Quando, porém, oramos pela expansão do reino de Cristo, nosso objetivo não esbarra em nenhuma dessas dificuldades. Ao contrário, é acompanhado das mais fortes garantias de êxito. Não imaginemos que Deus já tenha feito tudo quanto pretende fazer por sua igreja, nem que Cristo já tenha visto o fruto do trabalho de sua alma a ponto de ficar satisfeito. Além das várias promessas mencionadas no sermão precedente, o estabelecimento inicial do reino de Cristo é comparado a uma PEQUENA PEDRA, cortada de um monte sem auxílio de mãos, mas que, com o tempo, despedaçaria todos os demais reinos, se tornaria uma grande montanha e ENCHERIA TODA A TERRA.[^4] O próprio Rei comparou esse seu bendito reino, em sua infância, a um grão de MOSTARDA, a menor de todas as sementes, mas que, depois de crescida, é a maior de todas as hortaliças. Sem dúvida, isso significa que seu reino, no princípio, era o mais aparentemente fraco e desprezível de todos; antes de se completar, porém, seria o maior, mais glorioso e mais extenso de todos os reinos jamais estabelecidos — maior que o do próprio Alexandre e mais duradouro que o de Roma.[^5] No mesmo lugar, ele o compara a um pouco de FERMENTO que uma mulher colocou em três medidas de farinha até que TODA A MASSA FOSSE LEVEDADA. Pensamento glorioso! Cristo vem levedando o mundo há muitas centenas de anos por meio da pregação do evangelho; e, no entanto — é terrível pensar —, que imensa parte dele permanece sem fermento até hoje! Mas, oh, bendito seja Deus, a obra não será abandonada até que TODA A MASSA ESTEJA LEVEDADA! Por mais desolado que seja o estado do mundo pagão, nosso Senhor Jesus os PEDIU POR HERANÇA e os terá, até OS CONFINS DA TERRA COMO SUA POSSESSÃO![^6] Oh, período bendito! Judeus e gentios, o europeu de tez clara e o africano crestado pelo sol, juntamente com homens de todas as demais condições, hão de se unir para servir ao Senhor. Não será extremamente animador ver aqueles ramos, por tanto tempo quebrados da oliveira por causa da incredulidade, enxertados outra vez? Vê-los retornar e, com amargas lágrimas de reflexão, BUSCAR O SENHOR SEU DEUS E DAVI, SEU REI, e TEMER O SENHOR E SUA BONDADE NOS ÚLTIMOS DIAS?[^7] Sim, certamente, recebê-los de volta será para os gentios como VIDA DENTRE OS MORTOS![^8] Então eles serão restaurados à sua própria terra e já não ficarão expostos, como antes, aos ataques hostis de vizinhos belicosos; mas ISRAEL SERÁ COM O EGITO E COM A ASSÍRIA UMA BÊNÇÃO NO MEIO DA TERRA, os quais JEOVÁ, DEUS DOS EXÉRCITOS, abençoará, dizendo: “Bendito seja o Egito, meu povo; a Assíria, obra de minhas mãos; e Israel, minha herança.”[^9] Então se cumprirão as COISAS GLORIOSAS DITAS DA CIDADE DE DEUS no Salmo 87. Veremos Raabe e Babilônia, a Filístia e Tiro, juntamente com a Etiópia, entregues à igreja. A ETIÓPIA ESTENDERÁ SUAS MÃOS PARA DEUS![^10] Oh, quanto encorajamento há aqui para orar! Não sabemos quanto tempo levará para que essas coisas aconteçam; mas sabemos que estamos mais de dois mil e quatrocentos anos mais perto delas do que a igreja estava nos dias de Isaías. E, já então, aqueles que FAZIAM MENÇÃO DE JEOVÁ receberam esta incumbência: “NÃO GUARDEIS SILÊNCIO E NÃO LHE DEIS DESCANSO ATÉ QUE ELE ESTABELEÇA JERUSALÉM COMO LOUVOR NA TERRA!”[^11]

V. Se temos alguma consideração pelo bem-estar de nossos compatriotas, das pessoas ligadas a nós e de nossos amigos, que isso nos estimule nesta obra

Lembremo-nos de que não temos apenas pagãos, judeus e outros povos distantes por quem orar; poucos de nós estão inteiramente desvinculados de vizinhos pagãos, parentes pagãos ou filhos obstinados e incrédulos. Que eles sejam levados diante do Senhor nos braços da oração. Embora não possam reivindicar compaixão da parte de Deus, têm direito à nossa, pois já estivemos na mesma condição. Estendamos, portanto, nossa compaixão aos que não têm nenhuma por si mesmos, e elevemos nossas orações em favor daqueles que ainda não invocam o nome de Deus. Embora não haja razão para que Deus salve nossos filhos, parentes ou amigos antes dos demais, há razão para que NÓS busquemos a salvação deles antes da dos demais, pois foram especialmente colocados sob nosso cuidado ou mantêm ligação conosco. Negligenciar levar nossos filhos a Cristo para que ele os abençoe, por falta de amor — se tal coisa fosse possível num homem bom —, seria mais cruel do que a avestruz no deserto! Se fosse possível um cristão viver entre vizinhos e parentes perversos e, vendo-se pessoalmente seguro, nada se importar com eles, certamente estaria fora de si! Quão diferente isso seria do espírito de seu Senhor e Salvador: ele chorou por aqueles que não choravam por si mesmos! Oh, cristãos! Por amor ao seu país, a seus vizinhos, a seus amigos e até a seus inimigos, bem como pela honra de Cristo, busquem o bem-estar de Sião e orem pela expansão do reino dele no mundo!

VI. Considerem quão pequeno é aquilo que se pede

Neste caso, o Senhor não nos pede nossa PRATA nem nosso OURO — e, ainda que o fizesse, seria pouco o que daríamos. Ele não exige que sacrifiquemos a vida, a família ou os amigos em apoio à sua causa — e, ainda que o fizesse, não seria mais do que aquilo a que se submeteram milhões dos melhores homens que o mundo já viu. Ele apenas diz: “Dá-me teu coração!” Busquem a prosperidade da causa daquele que morreu por vocês; daquela causa à qual a de vocês está tão inseparavelmente unida! Sim, daquela causa que é a de vocês mesmos, pois Cristo e vocês não têm interesses separados. Quanto aos momentos propostos, nada poderia ser menos penoso do que UMA VEZ POR MÊS. Mas o que foi que eu disse? Penoso? Deus não permita que uma ocupação dessa natureza jamais se torne um peso! Espera-se que ela seja considerada um PRIVILÉGIO, e não somente um dever. Espera-se que os cristãos sintam prazer e encontrem nessas reuniões um benefício que os induza, por iniciativa própria, a se reunir com mais frequência do que aqui se propõe, seja nas manhãs do dia do Senhor, seja em quaisquer oportunidades convenientes, com os mesmos e tão desejáveis propósitos.

VII. Por último, isso não será em vão, qualquer que seja o resultado imediato e aparente

Se tão somente pudéssemos nos unir de coração para realizar um esforço verdadeiramente fervoroso, haveria grande razão para esperar que dele resultasse grande bem. Quando vierem por todo o mundo aqueles gloriosos derramamentos do Espírito de Deus, sem dúvida virão em resposta às orações de seu povo. Suponhamos, porém, que nunca vivamos para ver esses dias; ainda assim, nosso trabalho não será em vão no Senhor. No mínimo, Deus seria glorificado, e isso não seria pouca coisa. Transmitiria ao mundo a notícia de que Deus ainda tem nele alguns amigos sinceros, que continuarão a orar a ele nos tempos mais sombrios. E se, como ocorreu com o propósito de Davi de construir a casa, ele não se agradasse de conceder nossos pedidos, ainda assim receberia bem o que viesse de nossas mãos. E de quem se pode dizer que perdeu seu trabalho, se obteve a aprovação de seu Deus?

Mas isso não é tudo. Nossas petições podem ser como sementes na terra, que não perecerão, embora talvez não brotem em nossos dias. Assim, os profetas trabalharam, e os apóstolos entraram em seus trabalhos;[^12] e que importa se formos os semeadores, e nossa posteridade, os ceifeiros? Pensaremos que isso é demais? No último dia, talvez Isaías — que mal sabia quem havia crido em sua mensagem — receba honra tão grande quanto Pedro, por cujo sermão milhares foram convertidos numa hora. Mas nem isso é tudo. Diferentes graus de prosperidade são concedidos a diferentes partes de Sião, e esses favores são muitas vezes dados às comunidades particulares em que predominam a oração mais fervorosa, o amor e a santidade. Acrescente-se a tudo isso que a prosperidade de NOSSAS ALMAS como cristãos está geralmente ligada à busca fervorosa da glória de Deus e do reino de Cristo. A consolação, como a reputação, não deve ser buscada diretamente e por si mesma. Se assim fizermos, ela fugirá de nós. Busquemos, porém, primeiro o reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas nos serão acrescentadas. Talvez uma grande razão por que tantos cristãos vivam tão destituídos de consolo divino seja o fato de quase nada mais lhes importar; por isso, Deus justamente o retém deles. Se buscassem mais a glória dele e a expansão de seu reino no mundo, descobririam que a consolação viria por si mesma. Aquele que não pode mentir disse, falando de sua igreja: PROSPERARÃO OS QUE TE AMAM.

[^1]: Estas reuniões de oração vêm sendo mantidas em nossas igrejas há quase sete anos; durante esse período, várias outras igrejas de diferentes denominações se uniram a nós em sua observância. O irmão Sutcliff, de Olney, republicou Uma humilde tentativa de promover a união em oração pelo avivamento da religião, do presidente Edwards. Para estimular uma concordância mais geral nessa prática necessária, esse excelente folheto foi recomendado tanto por nossa própria associação quanto pela Associação Batista do Oeste. É vendido por Ash, Little Tower Street; Button, Newington Causeway; e Vernor, Birchin Lane. Preço: nove pence.

[^2]: Mateus 6:10, 33.

[^3]: Poder-se-ia agora acrescentar que os mesmos princípios prevalecem na França.

[^4]: Daniel 2:35.

[^5]: Mateus 13:31–33.

[^6]: Salmo 2:8.

[^7]: Oseias 3:5.

[^8]: Romanos 11:15.

[^9]: Isaías 19:23, 24.

[^10]: Salmo 68:31.

[^11]: Isaías 62:6, 7.

[^12]: João 4:38.